“Parem de brincar com nossas vidas!”, “Queremos uma solução permanente!”, pediram jovens “dreamers” em vários protestos ao Congresso dos Estados Unidos, ao chegar nesta segunda-feira (5) a data eleita pelo governo de Donald Trump para o fim do programa que os protege da deportação.
Mas o fim definitivo do Daca está em suspenso. Duas sentenças de juízes da Califórnia e Nova York suspenderam temporariamente a decisão de Trump de acabar com este programa que protege da deportação quase 700 mil jovens imigrantes que chegaram ao país sem documentos quando eram crianças.
O governo federal apela de ambas as sentenças ante tribunais de segunda instância, depois que a Suprema Corte negou seu pedido de se pronunciar sobre o assunto diretamente.
“É 5 de março e os democratas não fizeram nada sobre o Daca. Demos seis meses a eles, simplesmente não se importam. Onde estão? Estamos prontos para fazer um acordo!”, tuitou o presidente nesta segunda.
Mas os democratas culpam os republicanos pela falta de acordo sobre o “Dream Act”, a legislação que permitiria a esses jovens ficar nos Estados Unidos permanentemente.
O plano de Trump contempla a legalização dos quase 700 mil “dreamers” e de outros 1,1 milhão de jovens imigrantes na mesma situação, mas exige fundos adicionais para construir um muro na fronteira com o México, contratar mais policiais migratórios e endurecer a política de imigração aos Estados Unidos.
“O Congresso não se decide, não sabe o que fazer conosco. Dizem uma coisa e saem com outra. Peço que não brinquem com as nossas vidas”, disse à AFP Lizbeth Huitzil, uma mexicana de 19 anos, em um pequeno protesto em frente à Trump Tower.
“Façam seu trabalho. Aprovem um ‘Dream Act’ limpo!”, sem condições em troca, acrescentou.
“Fingir que este prazo do Daca não chega com urgência e temor para os ‘dreamers’ é ignorar o impacto real e humano que essa crise fabricada tem sobre eles e suas famílias”, tuitou o representante democrata Joe Kennedy III.
“O presidente Trump rejeitou todos os nossos esforços. É hora de permitir que o Congresso resolva a crise que ele criou”, afirmou em espanhol em sua conta no Twitter a senadora da Califórnia Dianne Feinstein (democrata).
Um total de 87 manifestantes foram presos por desobediência civil perto do Congresso, em Washington, informou a Polícia do Capitólio.
A imigrante mexicana Alexandra Gonzalez, de 21 anos, marchou até o Congresso com mais 200 pessoas segurando um cartaz com uma foto de seu primo Edder Sánchez.
“Foi preso em Atlanta e seu Daca foi revogado ilegalmente. A Polícia migratória ICE o colocou em um centro de detenção em condições desumanas e ele aceitou uma repatriação voluntária”, contou.
Os “dreamers” pedem ao Congresso que vincule a aprovação da lei de imigração à lei de orçamento, que deve ser votada em 23 de março.
O presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan, não convocou nenhuma votação sobre o assunto. E como os tribunais de apelação provavelmente não decidirão sobre a questão antes do meio do ano e o caso pode acabar na Suprema Corte, o Congresso poderia aguardar até antes das legislativas de novembro.