Comportamento

Parece pecado (mas não é)

Vinho em lata? Tradicionalistas torcem o nariz, mas novas tecnologias já permitem manter a qualidade da bebida em embalagens alternativas

Crédito: CHICO FERREIRA

APROVADO A carioca Bruna Vernes, de 27 anos: em vez da cerveja, Pinot Noir e Chardonnay em lata (Crédito: CHICO FERREIRA)

O mundo do vinho é tradicional e não costuma aprovar modernidades. De uns tempos para cá, porém, uma novidade começa a ganhar adeptos graças à praticidade e ao advento das novas tecnologias: os vinhos em lata. Latinhas coloridas, brilhantes e com rótulos chamativos são a aposta das vinícolas para conquistar o público jovem. “Troquei a garrafa pela lata e não me arrependo”, afirma a advogada carioca Bruna Vernes, de 27 anos. Ela garante que não há grande diferença no sabor: “Não notei qualquer disparidade no gosto e no aroma. Como não consumo cerveja, bebo minha latinha de Pinot Noir ou Chardonnay em ocasiões especiais”, diz. O segredo para que o vinho não sofra alteração em suas características é o revestimento interno da lata, que impede que o líquido entre em contato com o alumínio.

Divulgação

“A bebida em lata proporciona conveniência para o consumidor”, afirma Luciano Lopreto, diretor da Vinícola Góes. Ele diz que a intenção é desmistificar o vinho e trazê-lo para o dia a dia do consumidor. A Góes produz quatro mil latas por hora da marca Vibra!, vendida no site Evino. Lopreto conta que fabrica vinhos jovens, brancos, rosés e espumantes que devem ser tomados na própria safra, diferentemente das garrafas de tintos complexos que ficam em guarda para amadurecer e serem consumidos tardiamente. O preço é outro diferencial: a lata de 269 ml é vendida a R$ 12,90. “Há uma boa relação custo-benefício”, diz Jéssica Marinzeck, sommelière da Evino.

VENDAS Mercado promissor: marcas como a Vibra! e a Vivant oferecem uma boa relação custo-benefício (Crédito:Divulgação)

Oportunidade

O mercado dos vinhos em lata é promissor. Alex Homburger, CEO da marca Vivant, empresa parceira da Vinícola Quinta Dom Bonifácio na Serra Gaúcha, conta que o faturamento passou de R$ 1,2 milhões para R$ 6 milhões entre 2019 e 2020, com 700 mil latas vendidas no ano. A tendência de crescimento está comprovada, mas no caso da Vivant o modelo de negócios é um pouco diferente. “Não queremos competir com a garrafa, são produtos para serem consumidos em ocasiões diferentes”, diz. Para Fabiana Verde, sommelière do blog “Descoberta Vinhos”, os tintos encorpados não se encaixam nesse perfil. “Para vinhos jovens, sem madeira, que estão prontos para tomar e não devem evoluir, a lata pode até ser uma alternativa acessível”, diz a especialista. “Nesses casos não chega a ser um pecado.”