Economia

Paralisia econômica mundial pode provocar ‘pandemia de fome’

Paralisia econômica mundial pode provocar ‘pandemia de fome’

Homem cozinha em uma rua do bairro Nigéria, na seção Isla Trinitaria de Guayaquil, Equador, em 11 de abril de 2020 - AFP

As Nações Unidas advertiram nesta terça-feira (21) que a pandemia do novo coronavírus pode provocar fome em países já vulneráveis com a paralisação do comércio e o choque nos mercados financeiros.

A advertência ocorre em um momento em que as mortes por COVID-19 superam as 174.000 no mundo e os contágios passam dos 2,5 milhões.

Os governos se mostram ansiosos por suspender o confinamento e a paralisação de suas economias devido à crise sanitária, mas muitos líderes temem que um retorno à atividade dispare uma nova onda de contágios.

Paralelamente, é enorme a preocupação com os crescentes custos econômicos e a tensão social produzidos pelo confinamento de metade da humanidade.

O impacto econômico da pandemia pore provocar uma “catástrofe humanitária”, dobrando o número de pessoas que sofrem com a fome no mundo, para 265 milhões este ano, advertiu o Programa Mundial de Alimentação (PMA) da ONU.


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“Estamos à beira de uma pandemia de fome”, advertiu o diretor do PMA, David Beasley, ao Conselho de Segurança durante uma viodeoconferência.

“Milhões de civis que moram em países afetados por conflitos, inclusive muitas mulheres e crianças, estão à beira de sofrer fome, com o fantasma da fome extrema como uma possibilidade muito real e perigosa”, advertiu Beasley, acrescentando que este cenário pode ocorrer em cerca de trinta países.

Enquanto o PMA fazia esta advertência sombria, os ministros da agricultura do G20 prometiam assegurar um fornecimento “suficiente” de alimentos para os “mais pobres, os mais vulneráveis e os deslocados”.

– Colapso do petróleo –

A paralisia de setores inteiros do comércio já afetam de forma dramática o mercado petrolífero, com uma queda sem precedentes dos preços devido à redução da demanda e o consequente excesso de oferta, que arrastou as bolsas.

A cotação do barril de WTI, cujo contrato expirava nesta terça, caiu na segunda-feira pela primeira vez na história a níveis negativos, fechando a -37,63 dólares, o que significa que os proprietários dos contratos de compra paaram para encontrar compradores. Nesta terça, depois de vários vai-e-vens, este contrato fechou a 10,01 dólares, mas esta recuperação não antecipa uma mudança de tendência nas próximas semanas.

A queda do petróleo representou um “golpe duríssimo” para o Equador, país petroleiro fortemente afetado pela pandemia com dívida de 60% do PIB, disse seu presiidente, Lenín Moreno.

E a petroleira estatal boliviana YPFB qualificou de “catástrofe” a queda vertiginosa dos preços.

Enquanto isso, Trump pediu ao seu governo para desenhar um plano de ajuda às companhias petroleiras americanas.

– Panorama sombrio na América Latina –

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) considerou que a pandemia provocará a pior contração econômica que a região já sofreu, com uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,3% em 2020.

“Para encontrar uma contração de magnitude comparável, seria preciso retroceder até a Grande Depressão de 1930 (-5%) ou mais ainda, até 1914 (-4,9%)”, disse a Cepal.

O México elevou seu nível de alerta diante de um aumento acelerado dos casos de contágio do coronavírus, cujo pico é esperado entre 8 e 10 de maio.

Mas no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou na segunda que espera que as medidas de isolamento decididas por vários governadores sejam suspensas esta semana, apesar de a pandemia se encaminhar para o auge no Brasil, segundo o ministério da Saúde.

Enquanto isso, autoridades sanitárias realizaram nesta terça, em Brasília, a primeira testagem em massa no país para diagnosticar o coronavírus com 100.000 testes a serem realizados até a sexta-feira.

Na América Latina, onde já há 5.500 mortos e 112.000 contágios, preocupam especialmente o impacto econômico e a incerteza sobre o comportamento da doença nos países do hemisfério sul, onde o inverno começa em junho.

– EUA suspende imigração –

O presidente Donald Trump anunciou a suspensão por 60 dias da imigração legal permanente aos Estados Unidos, com o argumento de que com isso busca proteger os postos de trabalho dos americanos.

O presidente americano deu os primeiros detalhes de um vago anúncio feito na noite da segunda-feira, abordando um tema-chave para a sua base conservadora, em um momento em que o desemprego disparou no país por causa da pandemia, que deixou mais de 43.000 mortos e mais de 780.000 contágios.

“Suspender a imigração vai ajudar os americanos desempregados a ficarem na primeira fila quando os Estados Unidos reabrirem”, disse Trump.

“Esta pausa terá vigência durante 60 dias”, afirmou, acrescentando que decidiria sobre qualquer prorrogação ou mudança “em função das condições econômicas do momento”.

Para alguns democratas, como a senadora Kamala Harris, Trump busca “politizar sem nenhuma vergonha a pandemia para reforçar sua agenda antiimigrantes”.

E com uma crise que começa a apertar, o presidente republicano tem se confrontado com governadores democratas, ao apoiar protestos contra o confinamento em vários estados.

– Cautela na Europa –

Na Europa, duramente afetada pela COVID-19, alguns países saem cautelosamente do confinamento para abrandar os custos econômicos, embora as reuniões multitudinárias permaneçam descartadas e muitos locais estejam fechados.

As escolas de ensino médio e fundamental vão abrir progressivamente.

A Alemanha permitia a reabertura de pequenas lojas, mas cancelou a Oktoberfest, tradicional festa da cerveja, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

A Espanha também cancelou as festas de São Firmino, na Espanha, que anualmente no mês de julho atraem turistas e se caracterizam pelas tradicionais corridas de touros pelas ruas da cidade de Pamplona.

Os países europeus mais afetados pela pandemia – França (mais de 20.700 mortos), Espanha (mais de 21.200) e Itália (mais de 24.600) – se preparam também para adotar as primeiras medidas de desconfinamento em vista de sinais de esperança.

Na Itália, o número de doentes caiu nesta segunda-feira pela primeira vez e as primeiras medidas para sair do confinamento só serão tomadas depois de 3 de maio. Pouco a pouco as empresas voltam a abrir, mas com precauções.

Na Espanha, onde nesta terça foi registrado uma alta sutil no número de mortos (430 nas últimas 24 horas), o necrotério improvisado em uma pista de patinação no gelo em Madri será fechado nesta quarta.

Mas no Reino Unido, onde na segunda-feira houve 449 mortos, seu balanço diário mais baixo desde 6 de abril, o confinamento foi prorrogado na quinta-feira por pelo menos três semanas.

Sem baixar a guarda, a cidade chinesa de Wuhan, onde o vírus surgiu, recupera pouco a pouco a normalidade, após um isolamento de 76 dias.

E Singapura se tornou um exemplo de como as infecções flutuam, com novas medidas de quarentena emitidas nesta terça, em meio a uma segunda onda de contágios.

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