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‘A quarentena meia-boca vai exaurindo a paciência das pessoas’, diz Natália Pasternak

‘A quarentena meia-boca vai exaurindo a paciência das pessoas’, diz Natália Pasternak

A bióloga e pesquisadora Natália Pasternak Taschner foi a convidada da live de Istoé na terça-feira (4). Durante a entrevista aos jornalistas Anna França e o editor de comportamento da revista, Vicente Vilardaga, ela falou sobre a pandemia do novo coronavírus, o uso de medicamentos, como a cloroquina (CQ), no tratamento da doença.

“A melhor forma de controlar uma pandemia é isolar os doentes. É irreal que teremos uma vacina eficaz em outubro. De todo modo, o que precisamos, hoje, com urgência é uma vacina que desafogue os casos graves, mesmo que não seja tão eficaz quanto as do Sarampo e Poliomelite. As respostas que fazem sentido para ciência não são rápidas e nem baratas”, ponderou.

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Para ela, os estudos sobre o novo coronavírus baseiam-se em evidências ainda muito fracas e para nortear condutas médicas, as boas práticas da medicina devem ser baseadas em evidências mais certeiras e que para se chegar ao ideal exigem-se testes clínicos mais complexos e de períodos longos.

Na entrevista, ela joga por terra o discurso político à frente da ciência. “O negacionismo institucionalizado é algo sem precedente na história do país. A falta de uma liderança do governo federal faz a Saúde ficar jogada”.

Natália é doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e autora do livro ‘Ciência no Cotidiano’. Na live, ela falou sobre o mundo invisível das bactérias, dos fungos e vírus e comentou sobre a transmissão da Covid-19.

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“O vírus está em pessoas. O problema não está em sair às ruas, mas, sim, em aglomerar pessoas porque o vírus se replica entre elas.A resposta imune do coronavírus está dando um baile em nós, cientistas. Provavelmente, não teremos uma vacina com respostas tão importantes por enquanto”, diz.

Para ela, as vacinas serão uma peça importante para controlar a COVID-19, mas não são mágicas, não estarão disponíveis para todos num estalar de dedos. A cientista entende que os bons resultados nos testes iniciais – de segurança e resposta imune, que têm sido noticiados – são animadores e merecem ser celebrados. Mas a história da medicina está repleta de exemplos de medicamentos e tratamentos que pareciam prontos para o grande público, que haviam completado quase toda a maratona, e fracassaram na última prova crucial.

“Nem tudo que dá certo em tubos de ensaios, ou em animais, serve para humanos”, explica.

Para Natália, não há razão para perder a esperança, mas tampouco deve-se planejar a vida em torno dessa possibilidade.

“A vida vai voltar ao normal com ou sem vacina”, diz. Porém, entende ela, que as medidas de proteção não podem ser descartadas. É essencial contar com as medidas de contenção já conhecidas. Com isso não vamos eliminar o vírus, mas podemos controlá-lo.” Sobre a volta às aulas, ela é radical: “Para reabrir as escolas, tem-se que fechar os bares, restaurantes e shoppings”.

No final de 2018, a cientista investiu recursos próprios para a criação do Instituto Questão de Ciência (IQC), uma associação sem fins econômicos, lucrativos, político-partidários ou religiosos, voltada para a defesa do uso de evidência científica nas políticas públicas. Além de promover eventos científicos, publicar a revista “Questão de Ciência” e elaborar pareceres jurídicos e relatórios para embasar a formulação de políticas públicas.

Natalia tem se empenhado em desenvolver ações para incentivar a doação direcionada às pesquisas. “Espero que a pandemia tenha servido para conscientizar a população de como a ciência é essencial”, finaliza.

Entre as iniciativas estudadas pelo IQC estão a criação de um hub de filantropos; o aperfeiçoamento de modelos que facilitem a interação entre investidores e instituições de pesquisa; a formação de um endowment para patrocínios de bolsas e projetos; e a avaliação de propostas de mecanismos legais que incentivem a doação para a ciência.

“A filantropia voltada para a ciência é muito comum nos Estados Unidos e na Europa, existem incentivos fiscais e uma cultura de apoio e valorização das instituições científicas. No Brasil, isso praticamente não existe. Mas o panorama do financiamento da ciência está mudando, e os pesquisadores já vinham sofrendo com corte de bolsas e escassez de recursos públicos mesmo antes da pandemia. Por isso é preciso criar uma cultura de filantropia aqui e mostrar como o investimento em ciência traz grandes benefícios para toda a sociedade”, explica Natália.

Natália e sua mãe, a professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Suzana Pasternak, mobilizaram recursos da família e fizeram uma doação de R$ 2 milhões para serem investidoras no ventilador pulmonar Inspire. O Projeto do Ventilador Pulmonar Inspire surgiu com o objetivo de desenvolver um equipamento de baixo custo, livre de patente, de rápida produção e com insumos nacionais, para oferecer uma alternativa e suprir uma possível demanda emergencial do aparelho causada pela pandemia da Covid-19.

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