Para Lavrov, prisão de diretora da Huawei é ‘arrogante’

WASHINGTON, 7 DEZ (ANSA) – A prisão da diretora financeira da fabricante de tecnologia chinesa Huawei, Meng Wanzhou, no último sábado (1º), em Vancouver, no Canadá, a pedido da Justiça norte-americana causou mal-estar diplomático. Ela foi acusada de violar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã e corre o risco de ser extraditada e julgada nos EUA.   

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que participa de reunião da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSDE) em Milão, na Itália, disse que a posição do governo dos Estados Unidos é “arrogante e autoritária” e foi “rejeitada por todos, até pelos seus aliados mais próximos”. “Nós precisamos impedir isso”, defendeu Lavrov.   

“O caso Huawei é simplesmente um caso ligado à segurança nacional e não deveria influenciar as negociações com a China sobre comércio”, disse o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow.   

A China expressou “séria preocupação” sobre a informação publicada pelo jornal japonês “Yomiuri”, de que o país excluiria equipamentos da Huawei e da ZTE (empresa chinesa de tecnologia) das compras do governo, assim como fizeram os Estados Unidos.   

O ministro das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, disse nesta sexta-feira (7) que as companhias operam legalmente no Japão há muito tempo e que o país espera que o Japão “ofereça condições de mercado justas para as companhias chinesas e evite fazer qualquer coisa que mitigue a confiança e cooperação mútuas”. Autoridades japonesas negam que qualquer decisão tenha sido tomada sobre o assunto.   

O vice-presidente da Comissão Europeia, Andrus Ansip, disse nesta sexta-feira (7) que há razões para preocupação sobre riscos à segurança vindos da Huawei e outras companhias chinesas.   

“A próxima questão é: devemos nos preocupar com outras empresas chinesas? Sim, eu acho que devemos nos preocupar”, disse Ansip.   

Para ele, há razões para acreditar que as companhias cooperem com o governo chinês para invadir os sistemas de inteligência ocidentais. A Huawei divulgou nota em que diz que está “decepcionada e surpresa” pelos comentários de Ansip e “nega categoricamente qualquer acusação de poder constituir ameaça à segurança”.   

“Estamos abertos ao diálogo com Ansip para esclarecer qualquer mal-entendido. Somos parte da solução, não do problema”, diz o texto. A Huawei é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações, e a segunda maior fabricante de celulares smartphones do mundo, ultrapassando a Apple neste ano.   

A notícia veio à tona na noite de quarta-feira (1), mas a prisão teria ocorrido no último sábado (5). De acordo com a imprensa canadense, o Departamento de Justiça do Canadá já teria recebido o pedido de extradição dos EUA. A Huawei confirmou, através de um comunicado, a prisão da executiva, mas negou conhecer qualquer ato de violação das sanções americanas. “Não estamos cientes de nenhum comportamento ilegal cometido por Meng. A empresa acredita que os sistemas legais de Canadá e EUA irão chegar a uma conclusão justa”, diz a nota. Atualmente, EUA e China protagonizam uma guerra comercial, que elevou a tensão entre os dois países. Desde que tomou posse, Trump acusa a China de levar vantagens no comércio e nas exportações. O republicano decidiu elevar as taxas de importações sobre vários produtos chineses, o que fez Pequim retaliar e também sobretaxar itens americanos.   

No último final de semana, Trump se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, às margens do G20 de Buenos Aires. Os líderes concordaram em uma trégua de 90 dias na guerra comercial, período no qual serão feitas negociações bilaterais para solucionar a crise. (ANSA)