Os talibãs estão honrando seus compromissos com os Estados Unidos ao permitir que as tropas se retirem do Afeganistão, apesar dos recentes ataques que violam o “espírito” do acordo, disse o negociador dos EUA Zalmay Khalilzad nesta sexta-feira.
Khalilzad, que intermediou o acordo de 29 de fevereiro com os talibãs para tentar encerrar a guerra mais longa dos EUA, disse que o grupo do Estado Islâmico, e não os talibãs, foi culpado pelo ataque na terça-feira contra uma maternidade. em Cabul.
O derramamento de sangue levou o presidente afegão Ashraf Ghani a retomar as operações contra os talibãs, dificultando ainda mais os esforços para negociações de paz entre os dois lados, a fim de permitir um acordo político.
“Os talibãs implementram seu acordo para não atacar as forças da coalizão”, disse Khalilzad.
O negociador observou que os talibãs, que assumiram a responsabilidade por um ataque com um caminhão na quinta-feira contra a base do exército no leste do Afeganistão, nunca prometeu parar a violência contra as forças afegãs.
“Eles prometeram não realizar ataques em 34 grandes cidades, e não o fizeram, de acordo com nossa avaliação”, disse Khalilzad.
No entanto, “acreditamos que eles estão violando o espírito, dada quantidade de ataques e as baixas afegãs nesses ataques”, acrescentou, chamando o ataque de quinta-feira de “muito negativo”.
O negociador disse que os Estados Unidos estavam implementando sua retirada de acordo com o acordo alcançado, com o objetivo eliminar todas as tropas americanas no início de 2021, quase duas décadas após a invasão que derrubou os talibãs após os ataques de 11 de setembro.
Os Estados Unidos também estão pressionando para que os talibãs negociem com o governo de Ghani, que não é reconhecido pelos insurgentes.
As autoridades afegãs vinculam o grupo do Estado Islâmico aos talibãs, que negam esses vínculos e condenaram o ataque à maternidade que matou recém-nascidos, mães e enfermeiras.