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Para caranguejos-eremitas, tamanho é documento

Para caranguejos-eremitas, tamanho é documento

Um caranguejo-eremita, em 6 de setembro de 2013 em Paris - AFP/Arquivos

Para os caranguejos-eremitas não é fácil se reproduzir com tranquilidade, pois enfrentam o risco de que roubem sua carapaça. Assim, alguns deles, as espécies terrestres, teriam evoluído desenvolvendo “pênis” mais longos para fazer um “sexo seguro”, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira.

Mark Laidre, biólogo do Dartmouth College dos Estados Unidos, estuda há anos estes crustáceos de abdome mole que se protegem em uma carapaça vazia de caracol e mudam de “casa” conforme vão crescendo.

Em um estudo publicado nesta quarta-feira na Royal Society Open Science, o pesquisador aborda a importância do que denomina “propriedade privada” (ou seja, a carapaça), “sobre a evolução do tamanho do pênis” destes animais.

Os que sofrem o maior risco de roubo são certos tipos de caranguejos-eremitas que “reformam” suas carapaças. Enquanto para os caranguejos-eremitas aquáticos basta se apropriar de conchas abandonadas, algumas espécies terrestres vão além e transformam seu lar graças a substâncias químicas e ações físicas, principalmente para reduzir seu peso.

Mark Laidre estudou o risco ao que o caranguejo-eremita se expõe quando se reproduz. Nesse caso, precisa sair parcialmente de sua carapaça para poder fecundar a fêmea com algo que se parece com um “pênis”, segundo o pesquisador. Graças a “tubos sexuais”, ejacula uma substância gelatinosa que transporta os espermatozoides até a entrada do aparelho genital da fêmea.

Nesse momento, o macho fica desamparado perante os ladrões de carapaças. Se um de seus congêneres a rouba, o caranguejo-eremita terrestre corre o risco de secar e morrer em 24 horas.

Em seu estudo, o pesquisador partiu da hipótese de que os “pênis” destes crustáceos teriam evoluído e aumentado “para evitar o roubo de seu bem durante o ato sexual”.

“Em teoria, pênis mais longos permitiriam aos indivíduos ter acesso às parceiras sexuais enquanto mantêm sua propriedade atada ao resto do corpo”, disse Laidre no estudo.

Para comprovar a hipótese, estudou 328 exemplares de nove espécies vizinhas do caranguejo-eremita conservadas em museus, e mediu a relação entre o tamanho do “pênis” e o tamanho dos indivíduos.

Descobriu que as espécies terrestres da família Coenobita, que reformam sua carapaça, têm “pênis” maiores em relação ao tamanho de seu corpo que as espécies que têm carapaças que não foram modificadas. E estas, por sua vez, têm um atributo masculino maior que os crustáceos que não têm carapaça.

“Estes resultados sugerem que os pênis maiores são resultado das adaptações morfológicas para facilitar o ‘sexo seguro’, que nestes indivíduos consiste em conservar seus bens estendendo um pênis mais longo fora de sua carapaça para copular”, resume o pesquisador.

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