Irã ameaça responder caso Israel não cesse sua ‘agressão’ contra o Líbano

Israel e os Estados Unidos afirmam que o cessar-fogo negociado por Teerã e Washington não se aplica a Beirute

Bombeiros tentam extinguir um incêndio após um ataque israelense no bairro de Corniche al-Mazraa, em Beirute, em 8 de abril de 2026
Bombeiros tentam extinguir um incêndio após um ataque israelense no bairro de Corniche al-Mazraa, em Beirute, em 8 de abril de 2026 Foto: IBRAHIM AMRO / AFP

A Guarda Revolucionária do Irã alertou, nesta quarta-feira, 8, que poderá retaliar caso Israel não cesse os bombardeios no Líbano, onde dezenas de pessoas morreram em ataques ocorridos um dia após o acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

“Enviamos um forte aviso aos Estados Unidos, que violam tratados, e ao seu aliado sionista, seu executor: se a agressão contra o querido Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos nosso dever e responderemos”, declarou a Guarda Revolucionária em um comunicado transmitido pela televisão estatal, referindo-se a Israel.

Israel e os Estados Unidos afirmam que o cessar-fogo negociado por Teerã e Washington não se aplica ao Líbano, país que foi arrastado para o conflito pelos ataques contra Israel perpetrados pelo movimento pró-Irã Hezbollah.

Mais cedo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que denúncias de violações do cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos colocam em risco a estabilidade na região. Por meio da rede social X, o premiê, que atuou como mediador no acordo, instou todas as partes a exercerem moderação.

“Houve violações do cessar-fogo em algumas partes da zona de conflito, o que mina o espírito do processo de paz”, declarou Sharif. O líder paquistanês reforçou o apelo para que o período de duas semanas de trégua seja respeitado, permitindo que a diplomacia atue na resolução do conflito.

+ Irã ameaça navios que tentam transitar por Estreito de Ormuz sem permissão

Acusações de Teerã e tensões regionais

Também nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, denunciou descumprimentos do acordo por parte de Israel. Em diálogo com o comandante das Forças Armadas do Paquistão, marechal Asim Munir, o chanceler citou ataques em território iraniano e no Líbano.

Apesar do entendimento formal entre Washington e Teerã, a região registra escalada de hostilidades em diversas frentes:

  • Líbano: Beirute foi alvo de intensos bombardeios que atingiram áreas residenciais sem avisos prévios de evacuação.

  • Golfo Pérsico: Países como Kuweit, Emirados Árabes Unidos e Barein relataram ataques de mísseis e drones atribuídos ao Irã.

  • Infraestrutura: Fontes indicam ofensivas contra o gasoduto da Arábia Saudita que liga ao Mar Vermelho, rota alternativa ao bloqueado Estreito de Ormuz.

Perspectivas para a paz

Embora EUA e Irã tenham interrompido campanhas aéreas diretas nesta quarta-feira, as divergências centrais para um acordo de longo prazo permanecem sem resolução. De acordo com informações da agência “Reuters”, uma autoridade graduada de Teerã sinalizou que o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto entre quinta e sexta-feira, condicionando a medida ao avanço de uma estrutura de cessar-fogo definitiva durante as negociações planejadas no Paquistão.

* Com informações da AFP e Reuters