Edição nº2556 14/12 Ver edições anteriores

Papo-furado

Senador, ex-líder de uma legenda protagonista há décadas no cenário político e quase eleito presidente da República, Aécio Neves não é uma figura pública ordinária. Justo por esse motivo, sua recente promoção ao status de réu no STF foi recebida com entusiasmo por grande parte da sociedade. Por que apenas “por grande parte”? Eu explico: porque Aécio é tucano.

Reflexo de uma turbulência que envolve o País desde os protestos em junho de 2013, hoje em dia a realidade vem sendo sistematicamente entremeada por narrativas, tornando cada vez mais raras as oportunidades para os esclarecimentos simplórios. Afinal, se Aécio é grão-mestre de um partido antagonizado pela maioria dos brasileiros nas últimas quatro eleições presidenciais, não faria sentido que seus apuros com a Justiça fossem celebrados em uníssono?

A pergunta enseja uma aura de mistério ainda maior se constatarmos que esse desdém pelo delicado momento que atravessa o senador mineiro não vem apenas daqueles avessos ao PSDB desde a reabertura democrática, mas precisamente por quem o rechaçou em 2014.

Pois a verdade é que não interessa ao PT, e à esquerda a seu reboque, que Aécio seja punido. Isso porque
o discurso responsável por pintar a Lava Jato e o próprio Judiciário como organizações determinadas a persegui-los perderia de vez o pouco fôlego que lhe resta.

O problema com a narrativa petista não está mais na sua capacidade de produzir mentiras. É que perdeu o viço. Não convence a mais ninguém.

Convenhamos, isso já vem acontecendo. Segundo as últimas pesquisas, diminuiu bastante o número de pessoas que conseguiu ignorar os recibos rasurados, as delações premiadas e os depósitos bancários envolvidos na mudança do ex-presidente Lula para Curitiba. Bem menor deve ser o grupo daqueles que se emocionam com os chiliques farsescos de Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Guilherme Boulos.

Ainda assim, de olho no eleitor lulista que ainda liga a imagem do messias ao partido, o show precisa continuar. É a tentativa de resguardar um cacife eleitoral que, como se vê, jamais foi ideológico.

Por esse motivo, uma possível prisão de Aécio e do ex-governador Eduardo Azeredo não farão a menor diferença para os locutores da narrativa. Se desde já tergiversam sobre as sentenças que encalacraram de vez os seus projetos políticos, não será com os seus encarceramentos que capitularão.

O problema com a narrativa petista, no fundo, não está mais na sua capacidade de produzir mentiras ou recontar fatos históricos.É que perdeu o viço. Não convence a mais ninguém.

 


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