Sempre generosos, os Papais Noéis do Rio de Janeiro receberam na terça-feira (20) um pequeno gesto de carinho: antes de distribuir presentes no Natal, ganharam cestas básicas, para compensar, em parte, as perdas por conta da pandemia.
Desde o início da crise sanitária, “os Papais Noéis não tiveram emprego, ficaram parados, em casa”, disse à AFP o ator Limachem Cherem, diretor da Escola de Papai Noel, localizada no Rio de Janeiro.
Sob seu comando, todos os anos, dezenas de idosos recebem aulas de canto, teatro, dicção, expressão corporal, entre outras habilidades essenciais para interpretar o Papai Noel em shoppings, hospitais e creches no período natalino.
Mas a pandemia, que matou mais de 692.000 pessoas no país, forçou a restrição das tradicionais comemorações natalinas, incluindo os abraços das crianças a esses carismáticos personagens barbudos.
No período de desaceleração econômica, “dos 30 contratos nossos, fechamos só 5, e esses 5 ficaram dentro de uma redoma de vidro. Foi muito triste”, conta Cherem.
Por isso, desde o início da crise sanitária, a escola passou a fornecer aos seus associados uma cesta de Natal com alimentos doados por uma empresa.
É um “mimo”, uma retribuição simbólica por sua generosidade, declara Cherem sobre os Papais Noéis, em sua maioria aposentados de baixa renda.
“Os bons velhinhos são aposentados ou quase aposentados. Então é uma mão de obra que retorna ao mercado e que no final de ano tem a chance de ganhar um dinheiro extra, para comprar um presente para os netos, bisnetos, ou até para pagar as contas acumuladas durante o ano”, explica.
Segundo a imprensa local, o curso de Cherem já formou cerca de 1.000 Papais Noéis desde que foi fundado, há três décadas.
Para Paulo Roberto Santos, um Papai Noel negro, de 63 anos, cabelos fartos e barba grisalha, a doação de Natal é uma ajuda e um agradecimento.
“Vejo como um reconhecimento do trabalho que o Papai Noel faz, de levar alegria para as crianças e também para os adultos. Ninguém aqui vive sem ter um pouquinho de criança dentro de si”, afirma.