Papai sabe nada

Ser pai, nos tempos que correm é a tarefa mais difícil que pode haver. Nossos filhos têm mais informação, mais tempo, mais conhecimento e mais juventude que nós. Argumentam tão bem que às vezes parecem até mais velhos. O bom da história é que isso torna a gente mais novos.

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Um dos maiores desafios para os papais deste milênio é conhecer e compreender a forma como os nossos filhos atingem e gerem o conhecimento e no centro desse desafio estão as Mídias Sociais.

No século XX – nesse distante “nosso tempo” – os instrumentos de comunicação eram lineares e de fácil compreensão, mas hoje tudo é diferente. Antes “uma coisa” era sempre consequência “de outra”; e essa coisa estava quase sempre perto e era conhecida por todos. Não havia surpresa nas novidades.

Antigamente os filhos aprendiam dos pais — porque tinham menor acesso à informação. Hoje já não é assim. Os nossos filhos, porque são mais novos, menos ocupados e mais digitais, têm acesso a mais e melhor informação que os seus pais.

O desafio dos mais velhos é hoje muito maior. Se antes o problema era saber que informação se devia proibir, hoje é preciso saber que mundo devemos conhecer. E neste “jogo” os guris levam grande vantagem.

Quem tem filhos adolescentes se preocupa. Nos perguntamos se eles conseguem ter uma vida normal passando tanto tempo ligados na tela do celular. Mas será que são eles que estão viciados na rede, ou seremos nós mais viciados que eles?

Se formos pelo que diz o dicionário – “vício é um efeito pelo qual uma pessoa se afasta do tipo considerado normal” –  não parece que as  mídias sociais preencham esse requisito. Antes pelo contrário, olhando com atenção, vício se aplica muito mais aos adultos que as usam menos para adquirir ou partilhar conhecimentos e amizade e se dedicam a elas como instrumentos de vaidade e muitas vezes de voyeurismo.

Os mais novos sabem exatamente para que serve cada uma das  mídias sociais, como se “mantém vivas”, e qual a recompensa que existe em cada uma.

A Kika, tem 14 anos e sabe que o que mantém vivo o Snapchat (nesta altura a rede mais utilizada pelos adolescentes nos EUA) é a regularidade com que contacta cada pessoa da sua rede – é a rede da amizade. Que no Instagram, o objetivo são os gostos concedidos a cada fotografia publicada – é a rede da Vaidade. Já o Twitter é completamente diferente e “muito fixe” e “serve para encontrar coisas interessantes” – é a rede da informação.

É verdade que as mídias sociais são um assunto difícil de compreender, sobretudo pelos adultos, que gostam das coisas organizadas e hierarquizadas e nelas tudo está em constante mudança.

Na relação com a internet, entre novos e velhos há uma diferença fundamental. Enquanto os nossos filhos são as mídias sociais, nós apenas as utilizamos.

O mundo já é só deles, a gente só mora cá.

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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