Comportamento

Papa recebe cúpula da Igreja americana por causa das denúncias de abusos sexuais

Papa recebe cúpula da Igreja americana por causa das denúncias de abusos sexuais

Papa Francisco reunido com cúpula da Igreja americana em 13 de setembro de 2018 - VATICAN MEDIA/AFP

O papa se reuniu nesta quinta-feira com a liderança da Igreja Católica dos Estados Unidos, que pede ao Vaticano respostas sobre uma nova onda de denúncias devastadoras de abusos sexuais por parte do clero.

Francisco recebeu o presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o cardeal Daniel DiNardo, seu vice-presidente, arcebispo José Horacio Gómez, e o secretário-geral, o bispo Brian Bransfield.

Eles foram acompanhados pelo arcebispo de Boston, Sean O’Malley, presidente da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores e conselheiro próximo de Francisco.

O’Malley foi visto por uma repórter da AFP deixando o Vaticano mais de uma hora após o início desta reunião, mas a direção do episcopado americano evitou as câmeras.

Uma pesquisa divulgada na quarta-feira pela rede de televisão CNN revelou um declínio na popularidade do papa nos Estados Unidos. Apenas metade dos americanos (48%) o apoia, contra 72% em 2013, primeiro ano do seu pontificado.

Mesmo entre os católicos americanos a aprovação também caiu, para 63%, contra 83% um ano e meio atrás, segundo a mesma pesquisa realizada com 1.000 pessoas.

A publicação em agosto de um relatório sobre agressões sexuais envolvendo o clero católico na Pensilvânia, somou-se à renúncia em julho do cardeal Theodore McCarrick, acusado de abusos sexuais contra um jovem de 16 anos, que abalou toda a Igreja americana, revelando profundas divisões políticas entre os bispos.

Em seguida, um ex-embaixador da Santa Sé, monsenhor Carlo Vigano, chegou a exigir a renúncia do papa no final de agosto, acusando-o de encobrir o bispo McCarrick por cinco anos, enquanto este ex-arcebispo de Washington foi apresentado por diplomatas como um temível predador homossexual de seminaristas e padres.

Vigano também acusa Francisco de ter ignorado as sanções (aparentemente confidenciais) contra McCarrick por parte de seu antecessor, Bento XVI.

– “O 11/9 da Igreja” –

O abuso sexual de menores cometidos por membros do clero é o “11 de setembro” da Igreja, disse na terça-feira o monsenhor Georg Gänswein, o secretário particular do papa emérito Bento XVI, referindo-se a tantas vítimas “feridas tão gravemente e fatalmente”.

No final de agosto, o cardeal DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston, tinha expressado seu desejo de se reunir com o papa para apresentar um “plano de ação” preparado pelos bispos americanos para “facilitar a denúncia de abusos ou má conduta por parte dos mesmo”.

DiNardo enfatizou com prudência que as alegações de Vigano reforçavam a necessidade de uma investigação “rápida e completa” das razões pelas quais “os graves erros morais de um bispo (McCarrick) foram tolerados por tanto tempo”.

Na terça-feira, um sacerdote da arquidiocese de Galveston-Houston foi preso depois de ser acusado de abusos sexuais por um homem com agora 36 anos, quando ele era um estudante do ensino médio, entre 1998 e 2001.

Em um comunicado, a arquidiocese também citou o caso de uma jovem mulher que acusou o padre de assédio em 2001. Seus pais finalmente não denunciaram o caso à polícia e após uma investigação interna o padre retomou as suas funções em 2004.

Francisco também aceitou nesta quinta-feira a renúncia de um bispo americano, Michael Bransfield, acusado de “assédio sexual contra adultos”, de acordo com um comunicado da sua diocese. Ele é primo de monsenhor Brian Bransfield, recebido hoje no Vaticano.

Nos Estados Unidos, um grupo de 5.000 diretores de empresas católicas bloquearam 820.000 dólares de contribuições à Santa Sé, à espera de esclarecimentos.