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Papa pede ‘reconciliação’ na Nicarágua

CIDADE DO VATICANO, 11 SET (ANSA) – O papa Francisco escreveu uma mensagem ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, desejando que “Jesus, ‘o príncipe da paz’, conceda a todos os nicaraguenses os dons de uma fraterna reconciliação e uma convivência pacífica e solidária”. A carta foi enviada devido à celebração, no próximo dia 15, do feriado de Independência do país centro-americano.   

No texto, Francisco enviou cumprimentos a Ortega e afirmou que “reza pelos filhos e filhas desta amada nação”. A comemoração dos 197 anos da Independência ocorre em meio a uma grave crise social e política que ocorre desde abril. Segundo organizações de proteção aos direitos humanos, os confrontos no país já deixaram cerca 481 vítimas fatais. Os números do governo, no entanto, são de 198 mortos.   

A repressão a protestos motivados por uma reforma previdenciária que foi abandonada pelo governo deram início à onda de violência, que teve como vítima a brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, que foi baleada em seu carro enquanto dirigia em Manágua, a capital do país.   

Ortega disse nesta segunda-feira (10) que pode comparecer à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no próximo dia 25, para “conversar” com o presidente norte-americano, Donald Trump. “Eu penso que o começo do intercâmbio, do diálogo, entre uma potência como os Estados Unidos é algo necessário, imprescindível, para que os países da América Latina possam se fazer escutar”, disse Ortega à rede de televisão francesa RFI.   

Na entrevista, Ortega ainda discordou das conclusões de um relatório do Alto Comissariado da ONU, que condena a “grave violência do governo contra a oposição”. O presidente também disse, em outra entrevista à rede de televisão alemã Deutsche Welle, que os Estados Unidos não têm em sua agenda o “tema Nicarágua”. O líder sandinista também negou que vá realizar eleições antecipadas no país, antes do fim de seu mandato, em 2021, e não descartou a chance de concorrer a um novo mandato.   

“Eleições antecipadas seriam graves para a Nicarágua”, disse.(ANSA)