CIDADE DO VATICANO, 5 NOV (ANSA) – O papa Francisco voltou a fazer uma apelo nesta sexta-feira (5) para o acolhimento de pessoas com culturas diferentes no mundo ao inaugurar um novo espaço cultural na Biblioteca Vaticana. A primeira exposição é inspirada na encíclica “Fratelli tutti” (“Todos irmãos”), publicada em 2020, e que foca em questões sociais.
“A vida é a arte do encontro. As culturas se adoecem quando se tornam autorreferenciais, quando perdem a curiosidade e a abertura ao outro, quando excluem ao invés de integrar. Que vantagem nós temos ao sermos guardiões de fronteiras ao invés de sermos protetores dos nossos irmãos? A lógica dos blocos fechados é estéril e cheia de equívocos. Nós precisamos de uma nova beleza que não seja só o reflexo do poder de alguns, mas o mosaico corajoso da diversidade de todos”, disse aos presentes.
Citando que a pandemia de Covid-19 “acelerou” uma mudança histórica no mundo, Francisco ressaltou que a humanidade “tem a necessidade de novos mapas para descobrir o senso de fraternidade, de amizade social e de bem comum”.
“Desde o início do meu pontificado, eu chamei a Igreja para ser uma ‘Igreja em caminhada”, protagonista da cultura do encontro.
A mesma coisa vale para a Biblioteca: tanto melhor ela serve à Igreja se, além de guardar o passado, ousa ser uma fronteira do presente no futuro”, acrescentou.
Segundo Jorge Mario Bergoglio, a “beleza não é uma ilusão fugaz de uma aparência ou de um ornamento”, mas sim algo “que nasce da raiz da bondade, da verdade e da justiça, que são seus sinônimos”.
“Mas, não devemos esquecer de pensar e de falar das belezas porque o coração humano não precisa só de pão, não tem necessidade só daquilo que garante a sua imediata sobrevivência.
Ele tem necessidade também de cultura, do que toca a alma, do que aproxima o ser humano a sua dignidade mais profunda. Por isso, a Igreja deve testemunhar a importância da beleza e da cultura, dialogando com a particular sede de infinito que define o ser humano”, finalizou. (ANSA).