Nesta quinta-feira (24), no Vaticano, o papa Leão XIV declarou que a crise climática deve ser tratada como uma “questão de justiça, dignidade humana e solidariedade entre povos e gerações”. A afirmação foi feita durante uma audiência com membros da Pontifícia Academia das Ciências, na sessão plenária dedicada ao tema “O Futuro da Ciência em um Mundo em Transformação”, onde o Pontífice também alertou sobre os riscos da inteligência artificial.
Ao abordar as mudanças climáticas, Leão XIV afirmou que não basta agir após a ocorrência dos eventos, sendo necessário mudar o foco da resposta emergencial para a prevenção e a preparação. “Não podemos responder a esses desafios apenas depois que o desastre já ocorreu”, alertou ele, defendendo a transição “da resposta a emergências para a prevenção, da vulnerabilidade para a preparação e de medidas de curto prazo para uma visão sábia e de longo alcance para a humanidade”.
A urgência da prevenção climática
Para o líder da Igreja Católica, decisões científicas e tecnológicas devem levar em conta, desde o início, seus possíveis efeitos sobre a humanidade e sobre o meio ambiente. Além disso, ressaltou a necessidade de uma abordagem baseada na ciência e na responsabilidade.
“Estamos testemunhando ondas de calor, secas, inundações, tempestades, incêndios florestais e outros desastres naturais ocorrendo com frequência e intensidade cada vez maiores”, alertou o Pontífice. De acordo com Robert Prevost, “esses impactos atingem mais duramente os pobres, as comunidades com menos recursos para se adaptar e aqueles cujos meios de subsistência dependem diretamente da terra, das florestas e dos oceanos”.
Quais são os riscos da inteligência artificial?
Na mesma audiência, o Santo Padre chamou atenção para os riscos associados ao desenvolvimento da inteligência artificial, destacando que a tecnologia pode ser utilizada para vigilância, manipulação e discriminação. Em sua mensagem, o Pontífice também mencionou os riscos relacionados a sistemas computacionais avançados e a armas autônomas, enfatizando que, “se desenvolvidas ou implantadas sem salvaguardas adequadas e supervisão humana, podem introduzir novos perigos para a segurança e a paz internacionais”.
Leão XIV ressaltou ainda que “os sistemas atuais de IA exigem enormes quantidades de energia e água, impactando significativamente as emissões de dióxido de carbono e acarretando um elevado consumo de recursos naturais.” Segundo ele, esses desafios mostram que o avanço tecnológico não pode ser considerado apenas uma questão técnica. “Toda tecnologia reflete, explícita ou implicitamente, uma determinada concepção da pessoa humana, da sociedade e do futuro que desejamos construir”, afirmou.
Tecnologia e responsabilidade humana
Por fim, o Papa defendeu que “o progresso científico e tecnológico deve, portanto, ser acompanhado por um crescimento correspondente na responsabilidade”.
“Quanto maior o nosso poder de transformar o mundo, maior deve ser a nossa capacidade de discernir o que verdadeiramente serve à dignidade humana, dom de Deus, de governar com sabedoria e de cuidar daqueles que poderiam sofrer as consequências mais graves das nossas escolhas”, concluiu.