O papa Leão XIV voltou a condenar a pena de morte neste sábado (10), afirmando que a prática é inadmissível por violar a dignidade humana. A declaração ocorre em meio à controvérsia provocada nos Estados Unidos pelo plano de transmitir ao vivo a execução de um ex-militar condenado por matar 13 pessoas.
Em publicação na rede social X, por ocasião do Dia Mundial contra a Pena de Morte, o pontífice defendeu que a sociedade pode garantir a segurança dos cidadãos e o cumprimento da justiça sem recorrer à execução de condenados.
“A pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”, escreveu Leão XIV.
O Papa também destacou que os sistemas penitenciários modernos permitem proteger a população sem eliminar completamente a possibilidade de recuperação dos responsáveis por crimes.
Vaticano critica transmissão de execução nos Estados Unidos
A manifestação ocorre após o governo americano anunciar planos para transmitir ao vivo a execução de Nidal Malik Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos.
Hasan foi condenado à morte pelo ataque realizado em novembro de 2009 contra a base militar de Fort Hood, no Texas.
O atentado deixou 13 mortos e 32 feridos. A sentença de morte foi determinada por um tribunal militar em 2013.
A execução por fuzilamento está prevista para 3 de dezembro de 2026, embora procedimentos judiciais ainda possam alterar o cronograma.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, defendeu a divulgação pública da execução sob o argumento de que a população deve compreender as consequências de crimes graves.
A proposta, entretanto, provocou críticas de autoridades religiosas, organizações de direitos humanos e integrantes do próprio cenário político americano.
Igreja Católica considera medida inaceitável
A reação da Igreja Católica não ficou restrita à mensagem publicada pelo Papa.
Na sexta-feira (9), o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, criticou a possibilidade de transformar uma execução em uma transmissão pública.
Segundo o cardeal, a gravidade dos crimes cometidos não justifica transformar a morte de uma pessoa em espetáculo.
O presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, arcebispo Paul Coakley, também condenou o plano.
Embora tenha reconhecido a gravidade dos assassinatos cometidos por Hasan, Coakley afirmou que a iniciativa representa uma promoção da cultura da morte e pediu que a decisão seja reconsiderada.
A posição reflete a doutrina da Igreja Católica, que rejeita a pena capital por considerá-la incompatível com o respeito à dignidade humana.
Execução por fuzilamento reacende debate sobre punições
A decisão de executar Hasan por fuzilamento também chama atenção por seu caráter excepcional na história recente da Justiça militar americana.
Os Estados Unidos não realizam uma execução militar desde 1961.
Já a última execução por fuzilamento conduzida pelas Forças Armadas americanas ocorreu em 1945.
O anúncio de uma possível transmissão ao vivo ampliou a discussão sobre os limites da punição estatal e sobre os efeitos de tornar a morte de um condenado um evento público.
Críticos argumentam que a medida pode estimular a espetacularização da violência e contrariar princípios de respeito aos direitos humanos.
Mulher sobrevive a tentativa de execução no Tennessee
O debate sobre a pena de morte também ganhou força após um episódio ocorrido no estado americano do Tennessee.
Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal realizada em 30 de setembro.
Condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, cometido em 1995, Pike recebeu duas doses de uma substância utilizada no procedimento, mas não morreu.
Ela foi encaminhada a um hospital e, segundo informações divulgadas por seus advogados, recuperou a consciência dias depois.
O episódio levantou questionamentos sobre a segurança e a legalidade dos procedimentos de execução.
O governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão de novas execuções enquanto as circunstâncias do caso são investigadas.
Papa defende justiça sem pena capital
A mensagem de Leão XIV reforça a posição oficial da Igreja Católica contra a pena de morte.
Para o pontífice, a proteção da sociedade e a responsabilização por crimes podem ser alcançadas por meio de sistemas de detenção que preservem a possibilidade de redenção.
A declaração foi divulgada no Dia Mundial contra a Pena de Morte, celebrado anualmente em 10 de outubro.
Em um momento de renovada discussão sobre a pena capital nos Estados Unidos, o posicionamento do Papa recoloca a dignidade humana no centro do debate sobre justiça e punição.
Da IstoÉ e Ansa