O papa Leão XIV, do Vaticano, fez nesta quinta-feira (20) um novo e veemente apelo contra as guerras que assolam o mundo. O pontífice americano classificou os conflitos armados como um “fracasso político, moral e espiritual”, alertando para a degradação ambiental que eles causam. A mensagem foi divulgada em preparação para o 11º Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que a Igreja Católica celebrará em 1º de setembro.
- O papa Leão XIV classifica as guerras como um “fracasso político, moral e espiritual”, destacando seus impactos devastadores.
- O pontífice alerta que os conflitos armados ceifam vidas, separam famílias e forçam milhões a fugir de suas casas, causando destruição social e ecológica duradoura.
- Ele enfatiza que a interação entre guerras e degradação ambiental cria um ciclo vicioso que agrava a pobreza e as desigualdades.
No texto, o Papa Leão XIV alertou que a guerra “deixa feridas que vão muito além do campo de batalha”. Segundo o pontífice, os conflitos ceifam vidas, separam famílias e obrigam “milhões de pessoas a fugir para longe de seus lares”. Além disso, a guerra “deixa para trás uma destruição social e ecológica que perdura por gerações”.
Consequências além do campo de batalha
“A interação entre os conflitos armados e a degradação ambiental cria frequentemente um ciclo vicioso, que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, e compromete a segurança alimentar”, acrescentou o Papa. Este cenário faz crescer a pobreza, a desigualdade e novas tensões sociais que podem contribuir para o surgimento de mais conflitos.
Para o pontífice, a guerra “não se trata apenas de um fracasso político, mas também moral e espiritual”. Ele pontuou que a raiz desse problema está enraizada em “desejos distorcidos e no uso indevido da liberdade e do poder humanos”.
Ciclo vicioso e crise ética
“Hoje, testemunhamos muitas crises e muito sofrimento humano. Parece, ao mesmo tempo, que a perturbação do equilíbrio harmonioso da criação está acelerando”, salientou Leão XIV. O Papa americano enfatizou que esses fenômenos estão relacionados, constituindo um “único apelo à cura e à paz, proveniente de um mundo ferido”.
Em um planeta onde “os esforços continuam sendo direcionados para a violência e a guerra”, Leão XIV afirmou que “as causas profundas dos conflitos e da exploração da criação têm origem em uma crise ética e cultural”. Esta crise, segundo ele, inclui “a perda do sentido dos limites, a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade, concedida por Deus a cada pessoa humana”.
Além disso, Robert Prevost destacou a necessidade de imaginar um mundo “em que as energias atualmente investidas na guerra” sejam “canalizadas para o desenvolvimento humano integral, a superação da pobreza, a proteção da dignidade humana e a reconciliação entre os povos”.
Quais as ferramentas para a paz?
“As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor”, concluiu o pontífice. Para ele, “só estas qualidades possuem o poder de transformar os indivíduos, renovar as comunidades e curar as feridas do nosso mundo”.
Da IstoÉ com ANSA