Papa Leão XIV pede que bispos da América Latina se mantenham próximos dos fiéis

Em carta, pontífice destaca a importância de evitar o afastamento por conforto ou medo e seguir o exemplo de São Toríbio de Mogrovejo

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O Papa Leão XIV fez um apelo contundente neste sábado (19) aos bispos, em particular os da América Latina, para que fortaleçam os laços com os fiéis, ouçam suas comunidades e trabalhem incansavelmente pela unidade da Igreja Católica. A mensagem, emitida na Cidade do Vaticano, ressalta a urgência de uma liderança pastoral próxima e engajada.

  • Papa Leão XIV apela por proximidade dos bispos com os fiéis, alertando contra o afastamento motivado por conforto, medo ou interesses pessoais.
  • A carta foi divulgada por ocasião do tricentenário da canonização de São Toríbio de Mogrovejo, figura central para os bispos latino-americanos.
  • O pontífice enfatizou a distinção entre a dedicação do verdadeiro pastor e a atitude do “mercenário”, encorajando uma presença mais ativa e atenta.

O pedido do Papa Leão XIV foi feito em uma carta publicada por ocasião do terceiro centenário da canonização de São Toríbio de Mogrovejo, padroeiro dos bispos da América Latina. Na mensagem, o pontífice advertiu que o distanciamento dos fiéis pode começar muito antes de uma eventual ausência física, explicando que o processo se inicia quando o conforto, o medo ou interesses pessoais prevalecem sobre as necessidades das comunidades.

“Precisamos retornar frequentemente à escola da Cruz. O abandono do rebanho pode começar muito antes de qualquer fuga visível: acontece quando o conforto, o medo ou o interesse próprio prevalecem sobre o bem dos fiéis”, escreveu o Papa Leão XIV.

A proximidade do pastor

Leão XIV também estabeleceu uma clara distinção entre a postura do pastor e a do “mercenário”. Enquanto o mercenário calcula o que pode perder, o pastor sabe que deve doar-se para permanecer fiel à sua missão. Esta reflexão sublinha a essência do compromisso episcopal, que exige abnegação e serviço contínuo.

Ao recordar São Toríbio de Mogrovejo, nascido na Espanha e que se tornou arcebispo de Lima, o Papa Leão XIV destacou sua própria experiência pastoral no Peru. Ele viveu por mais de duas décadas como missionário e, posteriormente, como bispo na região, o que lhe proporcionou uma compreensão profunda da fé do povo latino-americano.

“Ali, conheci em primeira mão a fé de um povo do qual recebi muito e compreendi mais profundamente o que significa ser pastor”, afirmou Leão XIV, reforçando a importância da vivência e do contato direto com as realidades locais para uma liderança eficaz.

Como evitar o afastamento da fé?

Para o Papa Leão XIV, a melhor maneira de honrar a memória de São Toríbio é seguir seu exemplo pastoral. Ele incentivou os bispos a saírem pessoalmente ao encontro das comunidades, a ouvirem o rebanho e a procurarem aqueles que raramente têm a oportunidade de se aproximar do bispo.

“O ministério de um sucessor dos apóstolos exige viver com o coração no céu e os pés na terra”, ponderou o pontífice. Além disso, Leão XIV recomendou aos bispos uma presença mais próxima junto aos sacerdotes, assegurando que os padres saibam que podem procurar seus bispos não apenas em momentos de problema ou emergência, mas para um apoio constante.

A voz do único Pastor

Na carta, o Papa Leão XIV também ressaltou a grande responsabilidade dos bispos diante da diversidade de vozes que buscam influenciar a consciência dos fiéis. Em um cenário complexo e com múltiplas narrativas, a clareza e a solidez da mensagem eclesiástica tornam-se cruciais.

“Num momento em que tantas vozes reivindicam autoridade sobre a consciência dos fiéis, é dever do bispo oferecer um ensinamento claro, paciente e enraizado nessa comunhão, para ajudar seu povo a reconhecer a voz do único Pastor”, concluiu o pontífice, reafirmando o papel orientador e unificador da liderança episcopal. (ANSA)