O papa Leão XIV fez um apelo nesta quarta-feira (23) pela proteção de crianças e adolescentes migrantes, descrevendo as condições que enfrentam como “sofrimentos indizíveis”. A declaração foi proferida no Vaticano, às vésperas do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, enquanto a Itália discute um plano para limitar alunos estrangeiros nas escolas.
“Dirijo o meu pensamento aos migrantes e refugiados, especialmente aos menores obrigados a abandonar a própria terra”, afirmou o pontífice para a multidão reunida na Praça São Pedro. Leão XIV destacou a vulnerabilidade desses jovens.
“As crianças e os adolescentes são os mais vulneráveis; muitas vezes vivem sofrimentos indizíveis: violências, torturas, exploração, condições traumáticas e, não raras vezes, perdem a vida ao longo das rotas migratórias”, acrescentou o papa, que ainda fez um chamado à responsabilidade coletiva.
“Que cada um se sinta envolvido na vida destes jovens, que devem ser sempre tutelados e assistidos”, disse Leão XIV.
Por que a Itália discute limitar alunos estrangeiros?
As declarações do papa chegam em um momento de intensa discussão na Itália sobre o plano da premiê de direita Giorgia Meloni. A proposta visa limitar o número de alunos estrangeiros nas salas de aula do país, alegando problemas no sistema de ensino nacional.
A medida provocou controvérsia e críticas da oposição, que acusa o governo Meloni de usar menores de origem estrangeira como bodes expiatórios. A oposição argumenta que a proposta desvia o foco dos verdadeiros desafios educacionais da nação.
Em meio à polêmica, o ministro da Educação, Giuseppe Valditara, especificou que a norma deve atingir apenas estudantes que não são fluentes em italiano. A justificativa é que a barreira do idioma comprometeria o aprendizado e a integração dos alunos.