O Papa Leão XIV alertou nesta quarta-feira (16) contra a delegação de decisões cruciais a algoritmos, em meio à crescente preocupação global com os riscos da inteligência artificial. O pontífice discursou em sua audiência geral na Praça São Pedro, no Vaticano, enfatizando a importância da consciência humana.
- O Papa Leão XIV emitiu um alerta sobre os perigos da inteligência artificial em decisões humanas.
- O pontífice ressaltou que a delegação de decisões a algoritmos afeta a consciência humana e as relações pessoais.
- Em sua encíclica “Magnifica Humanitas”, o Papa defendeu que a IA precisa ser “desarmada” e “acolhedora”.
Embora o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação de massa e das redes sociais, e o recurso à inteligência artificial abram novas possibilidades, derrubando barreiras e distâncias, o Papa Leão XIV expressou sua preocupação. “Por outro, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais, e corremos o risco de nos habituar a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana”, acrescentou o líder da Igreja Católica.
Qual o impacto da IA nas relações humanas?
Segundo o Papa Leão XIV, é fundamental que as “relações sociais tenham peso real e profundidade”. Durante a mesma catequese, o cardeal Robert Prevost, que estava presente na audiência, destacou que a diversidade dos povos no mundo “não deve ser considerada um perigo nem uma ameaça”, mas sim um “potencial de enriquecimento e crescimento”.
“É necessário abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado, como acontece também entre os diferentes membros do corpo humano”, salientou Prevost, reforçando a mensagem de união e cooperação.
A inteligência artificial pode dominar o ser humano?
As preocupações com a Inteligência Artificial (IA) têm crescido nas últimas semanas, inclusive entre empresas do próprio setor. Essa apreensão surge após vários episódios em que modelos de inteligência artificial demonstraram capacidade de aprimoramento sem intervenção humana, levantando questões éticas e de controle.
O tema foi central na primeira encíclica de Leão XIV, a “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”). Nela, o pontífice ressalta a importância de “desarmar a IA” para impedir que ela “domine o ser humano”. Ele argumenta que o controle da tecnologia é essencial para a preservação da dignidade humana.
“A tarefa, hoje, não é apenas ética ou técnica: é ecológica no sentido mais radical, porque envolve uma nova dimensão da nossa casa comum. A IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regulá-la: deve ser desarmada e tornada acolhedora”, escreveu o Papa Leão XIV em sua encíclica, sublinhando a complexidade e a urgência do desafio.
Da IstoÉ com ANSA.
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