CIDADE DO VATICANO, 18 FEV (ANSA) – Em sua homilia na missa da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, o papa Leão XIV alertou que o direito internacional foi reduzido a cinzas em virtude dos vários conflitos espalhados pelo mundo.
“Hoje podemos sentir, nas cinzas que nos são impostas, o peso de um mundo em chamas e de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, e daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura”, disse o pontífice americano.
O líder da Igreja Católica também afirmou que a consciência exige das pessoas “chamar a morte pelo nome e carregar as suas marcas, mas também testemunhar a ressurreição”. Durante a celebração, recordou ainda a “pedagogia penitencial” de Paulo VI.
Robert Francis Prevost acrescentou que a Quaresma pode ser encarada, atualmente, como um período importante de vivência comunitária. O religioso também destacou a dificuldade de “reunir as pessoas e sentir-se povo”.
“Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar. Na Igreja, ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas está dentro da própria vida e dos próprios corações. São pecados que devem ser enfrentados com a assunção de responsabilidades, mesmo que se trate de uma ‘atitude contracorrente'”, disse Leão XIV.
O religioso mencionou que o pecado “é sempre pessoal”, mas costuma ganhar forma também nos ambientes reais e virtuais, como as redes sociais. Prevost acrescentou que “é raro encontrar pessoas, empresas e instituições que se arrependam e admitam ter errado”. (ANSA).