Papa Leão XIV aceita “renúncia” de bispo alemão por depressão

Karl-Heinz Wiesemann, bispo de Speyer, deixa o cargo por saúde mental, revelando anos de luta contra a depressão

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O papa Leão XIV aceita nesta quarta-feira (19) a renúncia do bispo da diocese de Speyer, na Alemanha, Karl-Heinz Wiesemann. A decisão ocorre três meses após o prelado ter revelado publicamente que sofria de depressão e havia solicitado seu desligamento por motivos de saúde. Wiesemann, de 66 anos, está nove anos abaixo da idade de aposentadoria episcopal.

  • A renúncia do bispo alemão Karl-Heinz Wiesemann foi aceita pelo Papa Leão XIV por motivos de saúde.
  • O prelado, de 66 anos, revelou em maio que sofria de depressão, agravada por problemas financeiros e escândalos de abuso na Igreja Católica.
  • Apesar de declarar-se curado após período sabático em 2021, a decisão de Wiesemann foi recebida com pesar pela Conferência Episcopal Alemã, que elogiou sua coragem.

Quais os motivos da depressão do bispo?

Em maio passado, Karl-Heinz Wiesemann declarou ter lutado por anos contra a depressão. Segundo o bispo, o quadro foi intensificado por desafios financeiros e burocráticos em sua diocese, além do impacto dos escândalos de abusos sexuais que assolam a Igreja Católica.

A batalha de Wiesemann contra a doença não é recente. Em fevereiro de 2021, ele tirou um período sabático de sete meses, dedicando dois deles a um tratamento especializado em uma clínica. Hoje, o bispo afirma estar curado, creditando sua melhora à capacidade de se focar “no que há de positivo e belo no mundo”.

Coragem e desafios na diocese

Heiner Wilmer, presidente da Conferência Episcopal Alemã, expressou profundo respeito e pesar pela saída de Wiesemann. Em uma carta direcionada ao bispo, Wilmer sublinhou que a renúncia representa “uma grande perda para a diocese de Speyer”.

Contudo, Wilmer fez questão de enaltecer a coragem de Wiesemann ao abordar questões sensíveis e complexas. Entre os temas difíceis, destacou “o declínio do número de fiéis e o avanço do secularismo” que desafiam a Igreja na Alemanha.

Além disso, o presidente da Conferência Episcopal Alemã ressaltou o empenho de Wiesemann em conduzir “uma investigação transparente e sem compromissos” sobre os casos de abusos sexuais ocorridos em sua diocese. “Você deu prioridade ao bem-estar das vítimas e, com isso, questionou as estruturas de poder da Igreja”, concluiu Wilmer em sua mensagem. (Da IstoÉ com ANSA)