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Papa intervém em entidade peruana envolvida em pedofilia


CIDADE DO VATICANO, 10 JAN (ANSA) – Às vésperas da visita do papa Francisco ao Peru, o Vaticano determinou uma intervenção em uma entidade católica local cujo fundador é acusado de pedofilia.   

A decisão foi tomada após o Ministério Público peruano ter pedido a prisão preventiva por nove meses do criador e líder carismático da Sodalitium Christianae Vitae (SCV) – em português, Sodalício da Vida Cristã -, o teólogo laico Luis Fernando Figari, e de outros membros da organização.   

Figari, que vive atualmente em Roma, é acusado de formação de quadrilha, sequestro e lesões psicológicas graves em casos de abusos sexuais, inclusive contra menores de idade. Por conta disso, a Congregação para os Institutos da Vida Consagrada, sob ordens do Pontífice, promulgou um decreto nomeando um interventor para a SCV.   

A entidade será administrada pelo padre Noel Antonio Londoño Buitrago, bispo de Jericó, na Colômbia, sob supervisão do cardeal norte-americano Joseph William Tobin, nomeado delegado e responsável pelas questões econômicas da associação.   

Um relatório elaborado pela própria SCV e por especialistas estrangeiros indica que ao menos 36 pessoas, sendo 19 menores de idade, foram abusadas sexualmente por Figari e outros líderes da organização. Os crimes teriam ocorrido entre 1975 e 2002, mas o Ministério Público arquivou as denúncias por prescrição.   

No entanto, os investigadores adotaram outra estratégia para reabrir o caso: passaram a cogitar formação de quadrilha para cometer os abusos e lesões psicológicas graves, crimes ainda passíveis de punição. “Me parece uma ideia inteligente”, disse em dezembro passado o advogado das vítimas, Hector Gadea.   

Figari nega as denúncias e afirma que o pedido de prisão tem como meta causar um “impacto coletivo” antes da viagem do Papa por Chile e Peru, entre 15 e 21 de janeiro.   

Segundo a sala de imprensa do Vaticano, Francisco acompanha “com preocupação” todas as informações sobre a situação da entidade peruana. “O Papa se mostrou particularmente atento à gravidade das informações sobre o regime interno, a formação e a gestão econômico-financeira, motivo pelo qual pediu com insistência uma atenção particular”, diz uma nota da Santa Sé.   

O comunicado cita as “sérias medidas” adotadas pelas autoridades judiciárias do Peru contra Figari como determinantes para a intervenção. Composta por laicos e sacerdotes que se dedicam à evangelização, à solidariedade e à promoção da família, a SCV foi fundada em 1971, em Lima, e ganhou em 1997, do papa João Paulo II, o reconhecimento como sociedade de vida apostólica.   

(ANSA)

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