Papa faz visita, mas não reza na Mesquita Azul de Istambul

ISTAMBUL, 29 NOV (ANSA) – O papa Leão XIV visitou neste sábado (29) a Mesquita Azul, principal templo muçulmano de Istambul, na Turquia, porém não rezou no local, diferentemente de seus antecessores Bento XVI e Francisco.   

O compromisso ocorreu no terceiro dia da primeira viagem internacional do pontífice americano desde que assumiu o trono de Pedro, em maio passado, missão que também incluirá o conflagrado Líbano.   

“Eu disse a ele que essa era a casa de Deus, que se ele quisesse, poderia rezar, e ele disse: ‘Não, vou dar uma olhada'”, contou o muezim da Mesquita Azul, Asgin Tunca, a jornalistas.   

No passado, Bento XVI e Francisco também visitaram o templo muçulmano e tiveram momentos de recolhimento silencioso, como uma oração, no local, e um documento preparatório divulgado pelo próprio Vaticano antes da viagem à Turquia indicava um “breve instante de reza em silêncio” por parte de Robert Prevost na Mesquita Azul.   

“O Papa viveu a visita à mesquita em silêncio, em um espírito de recolhimento e escuta, com profundo respeito pelo lugar e pela fé dos que ali se reúnem em oração”, disse a Sala da Imprensa da Santa Sé para tentar evitar eventuais polêmicas.   

Leão XIV também caminhou pelo templo sem sapatos, como manda a tradição islâmica.   

O líder católico foi acompanhado pelo ministro da Cultura da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, que afirmou ter explicado ao pontífice “o contexto histórico, a elegância arquitetônica e o papel desse precioso templo na civilização” turca.   

“Continuaremos a compartilhar esse patrimônio cultural e espiritual, que nossa antiga cidade de Istambul carrega consigo há séculos, com nossos hóspedes de diferentes crenças e culturas”, acrescentou Ersoy no X.   

Após a visita à Mesquita Azul, Prevost teve um encontro a portas fechadas com os chefes das igrejas e comunidades cristãs da Turquia, no templo ortodoxo siríaco de Mor Ephrem, também em Istambul. O objetivo do pontífice é reunir todas essas confissões em um “Jubileu da Redenção”, em 2033, no Cenáculo, em Jerusalém onde a tradição cristã diz ter ocorrido a última ceia de Jesus Cristo. (ANSA).