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Papa diz que doar vacinas aos países pobres não é esmola piedosa


CIDADE DO VATICANO, 18 OUT (ANSA) – O papa Francisco recebeu em audiência membros da Fundação Campus Bio-Medico de Roma nesta segunda-feira (18) e voltou a cobrar os países mais ricos na ajuda aos mais pobres nas situações medico-sanitárias.   

Falando sobre os avanços da ciência, o Pontífice destacou que se “os produtos da ciência forem oferecidos para poucos, eles permanecem como curativos que conseguem tampar o mal, mas não curá-lo em profundidade”.   

“Isso vale, por exemplo, para as vacinas: é urgente ajudar os países que tem menos, mas é preciso fazer com planos de longo prazo, não motivados apenas pela corrida de deixar as nações ricas mais seguras. Os remédios precisam ser distribuídos com dignidade e não como esmola piedosa”, disse aos participantes.   

O líder da Igreja Católica ainda afirmou que a ciência deve ser “para o bem comum” e que no centro da cura deve ser “colocar a pessoa, sem esquecer da importância da ciência e da pesquisa”.   

“Porque a cura sem a ciência é em vão, como a ciência sem a cura é estéril. As duas coisas andam juntas, e só juntas fazem da medicina uma arte, uma arte que envolve cabeça e coração”, acrescentou.   

Citando uma recente reforma feita para ajudar os hospitais e centros médicos católicos no mundo, o Papa destacou que a “Fundação, e a saúde católica em geral, são chamadas a testemunhar com os fatos que não existe vida não digna ou para ser descartada porque não responde a um critério de utilidade ou de exigência de lucro”.   

“Cada estrutura sanitária, em particular as de inspiração cristã, deve ser lugar onde se pratica o cuidado da pessoa e no qual se possa dizer: ‘aqui não se veem só médicos e doentes, mas pessoas que se acolhem e se ajudam’, ‘aqui se toca com as mãos a terapia da dignidade humana'”, pontuou ainda.   

No início do outubro, o papa Francisco criou a Fundação para a Saúde Católica, um órgão que tem a função de “oferecer apoio econômico às estruturas sanitárias da Igreja”. A ideia da ação é evitar que hospitais católicos, por falta de condições financeiras, sejam vendidos para grupos privados e se tornem “elitistas”. (ANSA).   


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