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Papa desafia jovens a criar modelo econômico inclusivo

SÃO PAULO, 21 NOV (ANSA) – Em uma mensagem que marcou o encerramento do evento online “Economia de Francisco” neste sábado(21), o papa Francisco pediu para a juventude mundial fazer um “pacto” para criar um novo modelo econômico porque “não podemos avançar assim”.   

“Vocês sabem que precisamos de uma narrativa econômica diferente, precisamos agir com responsabilidade pelo fato de que o sistema mundial atual é insustentável, de diferentes pontos de vista”, afirmou o Pontífice aos mais de 2 mil participantes, de 120 países diferentes.   

Os jovens empresários, empreendedores, economistas e estudantes foram desafiados a criar um sistema que respeite a terra, “tão maltratada e despojada”, e ao mesmo tempo “os mais pobres e os mais excluídos”.   

“Não é um ponto de chegada, mas o pontapé inicial de um processo que somos chamados a viver como vocação, como cultura e como pacto”, acrescentou.   

Francisco disse que é a hora de ousar, de sujar as mãos, sem atalhos, para transformar a economia e, consequentemente, toda a sociedade, com um estímulo de modelo de desenvolvimento, progresso e sustentabilidade nos quais as pessoas, em especial os excluídos, “sejam protagonistas”.   

O evento, iniciado na quinta-feira (19), estava inicialmente marcado para março, na cidade italiana de Assis, e foi adiado por causa da pandemia do novo coronavírus Sars-CoV-2.   

“Não estamos condenados a modelos econômicos que focam seu interesse imediato no lucro como unidade de medida e na busca de políticas públicas semelhantes que ignorem seus próprios custos humanos, sociais e ambientais”, advertiu.   

O Pontífice desafiou todos os jovens a serem uma presença concreta nas “cidades e universidades, no trabalho e nos sindicatos, nas empresas e nos movimentos, nos cargos públicos e privados, com inteligência, empenho e convicção”.   

“A gravidade da situação atual, que a pandemia de Covid trouxe ainda mais à tona, exige uma consciência responsável de todos os atores sociais, de todos nós, entre os quais vocês têm um papel primordial”, acrescentou.   

O líder religioso ainda defendeu uma “nova cultura”, que exige “mudanças nos estilos de vida, nos modelos de produção e consumo, nas estruturas consolidadas de poder que governam as sociedades hoje”.   

“A crise social e econômica, que muitos sofrem na própria carne e que está a hipotecar o presente e o futuro, com o abandono e a exclusão de tantas crianças e adolescentes e famílias inteiras, não nos permite privilegiar interesses setoriais em detrimento do bem comum”, lembrou.   

Francisco destacou a necessidade de dar voz aos pobres e vulneráveis na criação de novas políticas, para que se tornem “protagonistas das suas vidas e de todo o contexto social”.   

“Com a exclusão, a própria raiz da pertença à sociedade em que se vive é afetada, pois nela não se está nas favelas, na periferia ou sem poder, mas sim fora”, lamentou. “Não, não somos obrigados a continuar a admitir e a tolerar silenciosamente em nosso comportamento que uns se sintam mais humanos do que outros, como se tivessem nascido com maiores direitos”.   

Por fim, Jorge Bergoglio ressaltou que “a política e a economia não devem se submeter as regras e ao paradigma da eficiência da tecnocracia”.   

Falando sobre o futuro, o Papa pediu que a política e a economia estejam “decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana”, gerando um modelo de solidariedade internacional, que “reconheça e respeite a interdependência entre as nações”.   

O Santo Padre ainda alertou que depois da crise de saúde provocada pela pandemia de Covid-19, a “a pior reação seria cair ainda mais no consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta”. “Não se esqueçam de uma crise nunca se sai igual: saímos melhores ou piores”, finalizou, enfatizando a importância de “deixar crescer o que é bom, aproveitar a oportunidade e nos colocar todos a serviço do bem comum”. (ANSA)

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