CIDADE DO VATICANO, 24 DEZ (ANSA) – O papa Francisco lançou um apelo à comunidade internacional para que ajude o Líbano “a se manter fora dos conflitos e tensões regionais” e anunciou que visitará o país “o mais brevemente possível”.
O pedido foi feito nesta quinta-feira (24) em uma carta enviada pelo Pontífice ao cardeal Béchara Boutros Raï, presidente da Assembleia dos Patriarcas e dos Bispos Católicos no Líbano, e a todos os libaneses, por ocasião da celebração do Natal.
“O afeto ao querido povo libanês, que pretendo visitar o quanto antes, e a preocupação constante dos meus antecessores e da Sé Apostólica me levam a dirigir-me mais vez à comunidade internacional. Vamos ajudar o Líbano a se manter fora dos conflitos e tensões regionais. Ajudemos o país a sair da grave crise e a se recuperar”, disse o argentino.
Francisco manifestou sua tristeza “ao ver o sofrimento e a angústia que sufocam a coragem e a vivacidade inatas do país” e escreveu palavras de conforto e encorajamento”, principalmente depois que, em 4 de agosto, uma explosão no porto de Beirute matou mais de 200 pessoas e feriu milhares.
“É doloroso ver sequestradas as mais queridas esperanças de viver em paz e continuar sendo uma mensagem de liberdade e testemunho de boa convivência para a história e para o mundo.
Sinto em meu coração a gravidade de suas perdas, sobretudo quando penso nos muitos jovens que estão privados da esperança de um futuro melhor”, ressaltou.
O líder da Igreja Católica apelou aos líderes políticos e religiosos, usando um trecho da carta pastoral do patriarca Elias Hoyek. “Vocês, chefes do país, vocês juízes da terra, vocês deputados do povo que vivem por conta do povo, (…) vocês são obrigados, em sua capacidade oficial e de acordo com suas responsabilidades, a buscar o interesse público. O seu tempo não é dedicado aos seus melhores interesses, e seu trabalho não é para vocês, mas para o Estado e a nação que representam”.
Na mensagem, o Santo Padre ainda pediu para o povo libanês ter confiança em Deus e em sua fidelidade e a retornar a ser uma população solidária.
“Como o cedro, resistente a toda tempestade, que vocês possam colher as contingências do momento presente para redescobrir sua identidade, a identidade de levar ao mundo inteiro o perfume do respeito, da convivência e do pluralismo, a identidade de um povo que não abandona suas casas e sua herança, a identidade de um povo que não deixa cair o sonho daqueles que acreditaram no futuro de um país belo e próspero”, finalizou. (ANSA)