Papa alerta que cardeais não devem promover ‘agendas pessoais’

VATICANO, 8 JAN (ANSA) – O papa Leão XIV alertou nesta quinta-feira (8) que os cardeais não devem promover “agendas pessoais ou de grupo”, em uma missa realizada em meio ao primeiro consistório extraordinário de seu pontificado.   

A reunião começou na última quarta (7) e discute temas relevantes para a Igreja Católica. Embora uma pauta oficial não tenha sido divulgada pelo Vaticano, cardeais informaram à ANSA que um dos temas em debate é o das missas em latim, restringidas pelo papa Francisco e defendidas pela ala mais tradicionalista do clero.   

“Não estamos aqui para promover agendas pessoais ou de grupo, mas para confiar os nossos projetos e inspirações ao juízo de um discernimento que nos ultrapassa”, disse Leão XIV em sua homilia para o colégio cardinalício na Basílica de São Pedro.   

“Todos nós parámos para estar aqui: interrompemos por algum tempo as nossas atividades e renunciamos a compromissos importantes, para nos reunirmos e discernirmos o que o Senhor nos pede para o bem do seu povo. Este é, por si só, um gesto muito significativo, profético, especialmente no contexto da sociedade frenética em que vivemos”, acrescentou.   

Robert Prevost também lembrou que os cardeais devem “ajudar o papa” em sua missão à frente da Igreja Católica, ainda que nem sempre seja possível “encontrar soluções imediatas aos problemas que precisamos enfrentar”.   

“Caríssimos, o que vocês oferecem à Igreja é algo grandioso, extremamente pessoal e profundo, único para cada um e precioso para todos; e a responsabilidade que partilham com o sucessor de Pedro é grave e pesada”, salientou.   

O consistório desta semana é do tipo “extraordinário”, ou seja, é voltado a discutir assuntos importantes da Igreja, enquanto os “ordinários” geralmente são realizados para a nomeação de novos cardeais.   

Francisco fez apenas um consistório “extraordinário” durante seu pontificado, já que preferia governar com o auxílio de um grupo restrito de pouco mais de 10 cardeais. Com a morte de Jorge Bergoglio e o advento de Prevost, o colégio cardinalício tem pressionado por uma governança mais compartilhada na Santa Sé. (ANSA).