Panelaço acompanha entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo

Mobilização convocada por André Janones ocorreu em capitais durante sabatina; candidato do PL disse que apoia o fim da escala 6x1

Imagem ilustrativa de um panelaço em área residencial urbana. Produzida por inteligência artificial, com aparência fotográfica; não corresponde a registro real das manifestações mencionadas.
Foto: Imagem ilustrativa de um panelaço em área residencial urbana. Produzida por inteligência artificial, com aparência fotográfica; não corresponde a registro real das manifestações mencionadas.

A entrevista do senador Flávio Bolsonaro (PL) à TV Globo, na noite de sexta-feira, 16, foi acompanhada por panelaços em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A mobilização foi convocada nas redes sociais pelo deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O protesto ocorreu enquanto Flávio, candidato do PL à Presidência no segundo turno, respondia a perguntas sobre economia, jornada de trabalho, nomeações em um eventual governo e a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Convocação nas redes sociais

Janones publicou um vídeo incentivando apoiadores de Lula a bater panelas durante a transmissão. Em uma de suas publicações, o deputado fez referência aos panelaços realizados contra a ex-presidente Dilma Rousseff entre 2015 e 2016.

A forma de manifestação também ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando protestos semelhantes foram dirigidos ao então presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a ANSA, dados preliminares de audiência indicaram que a participação de Flávio no programa ficou 16% abaixo da registrada pela entrevista de Lula, exibida na noite anterior.

Mudança sobre a escala 6×1

Durante a sabatina, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende manter a política de valorização real do salário mínimo e os reajustes das aposentadorias vinculados ao piso nacional.

O senador também declarou apoio ao fim da escala 6×1. A posição representa uma mudança em relação a críticas anteriores à proposta de redução da jornada. Na entrevista, ele afirmou que reviu seu entendimento depois de ouvir trabalhadores durante viagens pelo país.

O candidato disse ainda que não pretende alterar os mínimos constitucionais de gastos com saúde e educação.

Plano fiscal e cargos em eventual governo

Ao tratar de política econômica, Flávio criticou Lula e afirmou que o atual presidente estaria disseminando preocupações infundadas sobre seu plano de ajuste das contas públicas, estimado em R$ 200 bilhões.

Questionado sobre a possibilidade de nomear familiares, o candidato negou que pretenda indicar um irmão para o Ministério das Relações Exteriores ou oferecer um cargo ao pai, Jair Bolsonaro. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar.

Caso “Dark Horse”

Flávio também foi questionado sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo informações citadas na entrevista, a produtora Go Up Entertainment informou custo de R$ 75 milhões para a obra, enquanto mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam um pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O senador respondeu que o contrato não havia sido cumprido e que os recursos aportados por Vorcaro e outros investidores permitiram concluir o projeto.

A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do longa. Flávio Bolsonaro é investigado no inquérito, e a PF solicitou ao STF a prorrogação das apurações por mais 90 dias. A investigação não representa condenação, e os fatos seguem sob análise.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro na disputa.

Da IstoÉ e ANSA