Pandemia, guerra e populismo eleitoreiro; a tempestade perfeita

Pandemia, guerra e populismo eleitoreiro; a tempestade perfeita

O presidente Jair Bolsonaro em 9 de dezembro de 2021 no Palácio do Planalto, em Brasília - AFP/Arquivos

Cada vez mais desesperado, eleitoralmente falando, já que moralmente, Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, não é de se abalar (seja por fome, doença, morte, desemprego…), desde o salvo conduto fornecido pelo STF, a Lula da Silva, o meliante de São Bernardo, abandonou o discurso liberal de campanha, que jamais foi colocado em prática, diga-se de passagem, e abraçou o mais clássico dos populismos eleitoreiros, transformando o ex-posto Ipiranga, ministro Paulo Guedes, em mero bibelô, a la General Pazuello ou, o pior dos fantoches, Marcelo ‘dedo do meio’ Queiroga.

A pandemia do novo coronavírus desorganizou a economia mundial e elevou as taxas de inflação a níveis recordes. Os Estados Unidos, por exemplo, experimentam uma inflação anual de inimagináveis 8%. O Brasil, infelizmente, encontra-se entre as três mais altas taxas do planeta, com inflação superior a 10%, por mais de seis meses seguidos. Para piorar o que já era péssimo, a invasão russa à Ucrânia – apoiada pelo devoto da cloroquina, é bom lembrar – fez disparar os preços mundiais das commodities agrícolas e minerais, especialmente trigo e petróleo, atirando gasolina (a R$ 8 o litro!!) na fogueira da carestia.

Qualquer governo organizado e minimamente responsável estaria buscando, a esta altura, combater e conter a atual escalada de preços. Mecanismos de curto, médio e longo prazos, como políticas temporárias de importação e exportação, fundos de estabilização de preços da cesta básica e de energia, e as mais que conhecidas e faladas reformas administrativa, fiscal e tributária já deveriam estar em curso há muito tempo. Porém, ao contrário, o amigão do Queiroz entregou o governo (e a chave do cofre) para seus parceiros do centrão, e foi cuidar do que mais sabe e gosta de fazer: arruaça eleitoral.

BC

Paulo Guedes, há muito, como já dito, tornou-se mero fantoche, e hoje só se mantém no cargo às custas de submissão e de muita, mas muita cara de pau, quando não raro, de mentiras ainda mais grotescas que as ditas por seu chefe. Ex: ‘sou aplaudido e abraçado nos supermercados; a economia está voando; o Brasil está preparado para a segunda guerra mundial (sim, segunda guerra!!); há mais Iphones que pessoas no País (sim, Iphones!!). Tal comportamento não apenas deixou livres, leves e soltos figuras ‘probas e responsáveis’, como Ciro Nogueira e Arthur Lira, para gastar, como liberou geral as contas.

Ontem mesmo, quarta-feira (17), o governo anunciou um ‘pacote de bondades’ que deixará muito lulopetista com inveja, tamanha irresponsabilidade fiscal e tamanho caráter eleitoreiro: antecipação do 13o salário, saque de FGTS, ampliação do PIS, enfim, Bolsoguedes só não fez chover no sertão. Ah! Aumentou o limite de despesa do crédito consignado e facilitou o acesso ao crédito em geral. Para uma população endividada até às tampas, é como o beijo da morte. Aliás, leiam uma coluna antiga minha, intitulada ‘Lula arrebentou com os Pobres’. Eis que Jair Bolsonaro, o patriarca do clã das rachadinhas, pretende ser a continuação.

Sou contra auxílio, aumento de renda ou consumo dos mais pobres? Claro que não, pô! Eu dependo disso (para quem não sabe, sou empresário). Agora, em um cenário de inflação galopante e descontrolada, populismo eleitoreiro, sob forma de irresponsabilidade fiscal e monetária, é suicídio. Não à toa, o Banco Central, terça-feira (16), tenha sapecado outra lapada de juros no nosso cangote: 11.75% ao ano, com nova alta já anunciada. O resultado: retração da economia, desemprego, menor crescimento ou até mesmo recessão. É como assistir a um filme com o título ‘Lula II e Dilma, o retorno’.

Bolsonaro está plantando uma Bomba Putin (seu novo brodinho) para explodir no ano que vem – quiçá, ainda neste. Muito provavelmente, no colo de outrem. Talvez, por isso, não se importe. Até porque, eles nunca se importam. E nós, no fundo, também não.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2022 - Três Editorial Ltda.
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento: A Três Comércio de Publicações Ltda., empresa responsável pela comercialização das revistas da Três Editorial, informa aos seus consumidores que não realiza cobranças e que também não oferece o cancelamento do contrato de assinatura mediante o pagamento de qualquer valor, tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A empresa não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças.