O presidente panamenho, José Raúl Mulino, rejeitou nesta quarta-feira (4) a decisão da CK Hutchison, empresa de Hong Kong, de iniciar uma arbitragem internacional contra o Panamá após a anulação do contrato que lhe permitia operar dois portos no canal interoceânico.
A Panama Ports Company (PPC), subsidiária da Hutchison, anunciou na terça-feira que havia iniciado um processo de arbitragem contra o Panamá, alegando ter sofrido “sérios prejuízos” após a Justiça panamenha anular o contrato que lhe permitia operar os portos de Balboa, no lado do Pacífico, e Cristóbal, no lado do Atlântico, desde 1997.
“Rejeito energicamente a declaração” da Hutchison “devido à decisão da Suprema Corte de Justiça sobre o contrato portuário. O Panamá é um Estado de Direito e respeita as decisões do Judiciário”, declarou Mulino em sua conta no X.
A PPC não especificou o valor da indenização que busca e alega que a concessão foi anulada após “uma campanha do Estado” contra a empresa, segundo o comunicado divulgado na noite de terça-feira sobre a arbitragem.
Nos meses anteriores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retomar o controle dessa hidrovia estratégica construída pelos Estados Unidos, alegando que ela está “sob o controle” de Pequim, embora seja administrada por uma instituição pública panamenha independente do governo.
Segundo a decisão unânime do tribunal, a concessão foi “desproporcionalmente tendenciosa em favor da empresa”, sem “qualquer justificativa” e “em detrimento dos cofres públicos”.
Após a decisão judicial, o governo panamenho anunciou que a empresa dinamarquesa Maersk assumiria temporariamente a gestão dos terminais portuários até que uma nova concessão fosse outorgada.
Os Estados Unidos, que inauguraram o canal em 1914, e a China são os principais usuários da hidrovia, que movimenta aproximadamente 5% do comércio marítimo mundial.
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