O governo panamenho negou nesta quinta-feira (17) denúncias de esterilizações sem consentimento de indígenas e criticou a oposição por promover falsas acusações, apesar das investigações oficiais de uma comissão legislativa.
Não há “dados reais e confiáveis de que essa denúncia seja verdadeira, além disso, nenhuma denúncia (formal) foi feita no país”, disse a ministra da Saúde Ivete Berrio ao canal panamenho TVN-2.
As denúncias, divulgadas pela deputada suplente Walkiria Chandler, indicam que cerca de dez mulheres foram submetidas ao procedimento em um hospital público.
Segundo a parlamentar, o ex-ministro da Saúde, Luís Francisco Sucre, que se afastou por problemas de saúde, teve conhecimento destas queixas.
As indígenas relataram que aquelas que realizaram seus partos no centro médico perderam sua capacidade reprodutiva, enquanto aquelas que deram à luz em suas comunidades não foram afetadas.
A denúncia foi feita a uma delegação da Assembleia Nacional – da qual Chandler era membro – durante uma visita em outubro de 2021 à comunidade de Charco La Pava, uma área montanhosa de difícil acesso na província de Bocas del Toro, no noroeste do país.
O grupo se deslocou até a localidade, habitada por indígenas Ngäbe-Buglé, para atender a uma possível doença parasitária em crianças, quando várias mulheres denunciaram as esterilizações.
Apesar de culpar supostos interesses da oposição, a ministra Berrio garantiu que o governo panamenho tentará localizar as mulheres que fizeram as denúncias para exames em um centro de saúde e esclarecimento dos fatos.
Em sua conta no Twitter, o Defensor Público Geral do Panamá, Eduardo Leblanc, também informou que solicitará detalhes sobre “as mulheres supostamente afetadas”.