Um dos muito credores do Grupo Fictor, que tem R$ 4,2 bilhões em dívidas, o Palmeiras decidiu rescindir nesta segunda-feira o contrato de patrocínio que mantinha com a empresa após o grupo pedir recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O acordo de patrocínio previa que a Fictor pagasse anualmente R$ 25 milhões ao Palmeiras para exibir sua marca nas costas do time principal (masculino e feminino) e na propriedade máster e costas dos uniformes das categorias de base. O valor poderia chegar a R$ 30 milhões, a depender de bônus por metas atingidas.
O contrato de três anos também envolvia os naming rights de um torneio sub-17 organizado pelo clube paulista, que passou a se chamar Copa Fictor e foi conquistado pelo Palmeiras na última quinta-feira.
A Fictor, porém, deve R$ 2,6 milhões ao Palmeiras, conforme declarou à Justiça em seu pedido de recuperação judicial. Esse valor se refere ao pagamento da parcela de patrocínio mais recente e de bonificações por resultados esportivos. Os pagamentos deveriam ter sido feitos em janeiro.
O Palmeiras, então, decidiu romper o acordo “em razão de inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo”. O clube se respaldou no que foi previsto no contrato para rescindir o acordo e informou que “estuda as providências legais cabíveis para o recebimento dos valores devidos pela Fictor”.
O Grupo Fictor, que ganhou os holofotes em novembro do ano passado ao aparecer em uma operação de compra do Banco Master um dia antes de o banco ser liquidado, também deve para a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), outra entidade esportiva que a empresa patrocina, com investimentos previstos de R$ 21 milhões até março de 2029. A dívida é de R$ 500 mil.
Entraram no pedido de proteção contra credores a Fictor Holding e Fictor Invest. Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), havia determinado o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor.
Segundo comunicado do Fictor, o grupo pretende quitar todas as dívidas sem deságio. Isso significa que a empresa não planeja negociar abatimento nos valores, mas apenas o prazo do recebimento. “A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, escreve a empresa.
O grupo buscou, no pedido, a suspensão e o bloqueio de dívidas por um prazo de 180 dias para a holding e a Fictor Invest. As demais subsidiárias não entraram no pedido e devem continuar operando normalmente.