Esportes

Paixão de treinadores é responsável por gerar talentos argentinos no vôlei

O vôlei da Argentina foi conduzido por uma espécie de Bebeto de Freitas sul-coreano: Young Wan Sohn. Em sua primeira participação num Mundial, o de 1978, os argentinos ficaram em 22.º. Quatro anos depois, sob o comando do asiático, na edição realizada em seu país, a seleção conquistou o bronze, ficando atrás da União Soviética e do Brasil.

“Até os anos 70, a Argentina teve jogadores tecnicamente fantásticos, como Portugal, Del Pino e Thompson. Mas faltava experiência internacional. Isso começou a mudar na época de Sohn. O selecionado fez uma excursão de 60 dias ao Japão e disputou 80 jogos. Jogou mais de uma partida por dia muitas vezes”, recorda Horácio Dileo, treinador do Vôlei Renata.

Aquele Mundial de 1982 foi acompanhado com muita atenção por um certo rapaz de 18 anos chamado Marcelo Méndez, então jogador de vôlei do River Plate. A talentosa geração de Castellani, Martínez, Conte, Quiroga, Uriarte e do levantador Kantor encantou o país. Três anos depois, Méndez, ainda atleta do River, passou a treinar equipes de base do clube.

Antes de chegar ao time do Montes Claros, em 2009, Méndez papou títulos no River e no vôlei espanhol, chegando a ocupar o posto de treinador da seleção daquele país. A passagem pela equipe do norte de Minas foi rápida – chegou e mostrou serviço, o que o catapultou ao poderoso Sada Cruzeiro.

“Ganhamos da Cimed, então campeã da Superliga, num torneio e graças a isso recebi um convite do Cruzeiro”, recorda o argentino, que em 2018 assinou com a federação argentina para suceder o monstro Julio Velasco na seleção, cargo que exerce ao mesmo tempo em que treina o time mineiro.


+ Grávida do quinto filho, influenciadora morre aos 36 anos
+ Após assassinar a esposa, marido usou cartão da vítima para fazer compras e viajar com amante

Dono de seis títulos da Superliga pelo Cruzeiro, Méndez sente dificuldades para explicar como o vôlei argentino, que tem pouca visibilidade na mídia e estrutura precária, consegue formar tantos bons profissionais, espalhados pelas principais ligas europeias na Superliga.

Ele elege dois motivos: uma quantidade razoável de treinadores estudiosos, dedicados e bem formados e o Campeonato Metropolitano de Buenos Aires. “A competição atrai os meninos do interior e permite que os jogadores atuem em mais de 50 partidas ao longo do ano. É um celeiro importantíssimo.”

A qualidade dos técnicos, lembra Méndez, não se deve a nenhum projeto da FeVA, a Federação de Vôlei Argentino. “Fazíamos vaquinhas entre nós e contratávamos treinadores para nos dar cursos, como José Roberto Guimarães, Doug Beal (campeão olímpico pelos EUA em 84) e Célio Cordeiro”, lembra o técnico do Cruzeiro. Cordeiro criou a Escola Nacional de Treinadores de Voleibol, em 1976.

Essa safra de dedicados treinadores argentinos, no entanto, não encontra reposição, segundo Méndez. “São técnicos com mais de 45, 50 anos. É gente apaixonada, que trabalhava por idealismo e acabou sendo recompensada financeiramente depois. Vejo que as gerações seguintes priorizam o dinheiro, talvez em função da crise econômica do país, mas colocam o trabalho em segundo plano. Não têm a mesma paixão que nós.”

Veja também

+ 5 benefícios do jejum intermitente além de emagrecer
+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Ticiane Pinheiro posa de maiô decotado e internautas suspeitam de gravidez
+ Denise Dias faz seguro do bumbum: “Meu patrimônio”
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel