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Países em desenvolvimento se rebelam contra Washington por política sobre clima

Países em desenvolvimento se rebelam contra Washington por política sobre clima

Um ativista ambiental com uma máscara de Trump em Bangcoc, em 8 de setembro de 2018 - AFP

Os países em desenvolvimento se rebelaram neste domingo em Bangcoc contra os Estados Unidos e seus aliados, acusados de minar as negociações para limitar o aquecimento global, ao final de uma reunião preparatória para a COP24, a próxima cúpula sobre o clima.

Especialistas do mundo todo discutiram durante esta semana em Bangcoc sobre a ultimação das regras para pôr em aplicação o acordo de Paris sobre o clima.

O acordo de 2015 busca limitar o aquecimento mundial abaixo de 2ºC em relação à era pré-industrial e prevê uma ajuda anual de 100 bilhões de dólares até 2020 para os países menos desenvolvidos.

As negociações na Tailândia ficaram bloqueadas em relação ao tema-chave do financiamento dos esforços para limitar o aquecimento e à transparência das contribuições.

Os delegados representantes de alguns dos países menores e mais pobres acusaram os Estados Unidos e a outros países ocidentais de não estarem à altura de seus compromissos em termos de investimentos ‘verdes’.

“Os países desenvolvidos são responsáveis pela maior parte das emissões históricas e boa quantidade enriqueceu consideravelmente queimando combustíveis fósseis”, declarou Amjad Abdula, que representa cerca de 40 nações, desde Maldivas até Bahamas, passando por Singapura.

Estados Unidos e outros países desenvolvidos são hostis a uma transparência significativa e se negam a se comprometer sobre financiamentos futuros. Os países em desenvolvimento afirmam que necessitam financiamentos transparentes e previsíveis.

Os 190 Estados que participam do acordo de Paris têm até o fim do ano e a 24ª Conferência sobre o clima da ONU, em dezembro em Katowice, Polônia, para fechar as regras de implementação do pacto.

No domingo, os delegados terminaram seus trabalhos em Bangcoc decidindo confiar as discussões técnicas a um painel de especialistas, que continuarão suas reuniões até a COP24 de Katowice.

Patrícia Espinosa, a responsável da ONU para a luta contra o aquecimento global, declarou à imprensa que houve avanços em Bangcoc “sobre a maioria dos temas”, mas que “ainda não se resolveu nenhum dos problemas”.

A questão do financiamento foi “muito difícil e sensível”, destacou.