Pais enfrentam agonia por filhos desaparecidos após tragédia na Suíça

CRANS-MONTANA, 2 JAN (ANSA) – Por Benoit Girod – Eles entram com o coração pesado de angústia e saem em lágrimas, deixando para trás muitas esperanças. Poucas horas após a tragédia no bar Constellation, que deixou mais de 40 mortos e dezenas de feridos, o centro de conferências Le Régent em Crans-Montana – a apenas 10 minutos a pé do local – tornou-se o destino de uma comovente peregrinação de pais, amigos e parentes.   

Todos buscam informações que as autoridades suíças ainda não conseguem fornecer. “Minha amiga está desesperada; ela não sabe onde está o filho. Pediram detalhes sobre a arcada dentária dele; vão coletar uma amostra de DNA”, relata Antonella, de Milão.   

Ao seu lado, uma mulher de cerca de 50 anos se afasta em prantos. Há horas ela tenta ligar para o filho, mas o telefone só toca e não conseguem localizá-lo.   

“Estamos ligando para todos os hospitais, mas ninguém sabe de nada, principalmente porque os que chegam estão em péssimo estado. Me ajudem a encontrar meu filho”, implora Carla Masiello, de Bolonha, que procura seu filho, Giovanni Tamburi, de 16 anos, desaparecido em Crans-Montana.   

Enquanto muitos ainda não têm notícias, alguns já conhecem parte do desfecho. É o caso de um grupo de três jovens milaneses, todos com 16 anos: a menina está em coma no hospital de Zurique, enquanto outro rapaz está a caminho do Hospital Niguarda, em Milão, com queimaduras graves na mão e na cabeça. O terceiro amigo foi impedido de entrar no bar Costellation, onde ocorreu a explosão, que ele presenciou posteriormente do lado de fora.   

“O Consulado Geral da Itália em Genebra está montando uma pequena unidade de crise no país para responder às perguntas dos italianos, mas também para auxiliar suas famílias”, explica Gian Lorenzo Cornado, embaixador italiano na Suíça, que se deslocou para Crans-Montana para acompanhar os desdobramentos.   

“Nossos italianos estão buscando informações desesperadamente, o que é normal, pois não têm notícias de seus familiares. Mas, para apurar o número de vítimas, ainda levará dias”, explica.   

A estação de esqui no cantão de Valais, popular entre os italianos, especialmente os da Lombardia, tentou hoje retomar alguma normalidade, apesar do centro da cidade estar cheio. Mas nada é como antes.   

Andrea, de 18 anos, de Milão, está chorando inconsolável. Ele esteve no Constellation na noite anterior, 30 de dezembro. “Não consigo tirar da cabeça a ideia de que eu poderia estar lá embaixo, mas ontem decidi dar uma festa em casa. Tenho tantos amigos aqui, venho aqui desde que nasci, e três deles estão desaparecidos: não sei mais nada sobre eles. Outros dois estão na UTI.” Andrea correu para o bar imediatamente após a tragédia: “Foi terrível, aquele lugar se revelou uma armadilha. Vimos pessoas saindo queimadas, gritando, nuas. Estavam congelando até a morte. Precisavam de cobertores, e imediatamente um posto de primeiros socorros foi montado no prédio em frente. Agora estou com medo pelo destino dos meus amigos.” Anna, que estava com ele, completou: “Foi uma experiência traumatizante. Penso nos amigos que estavam lá ontem. Só queria saber onde eles estão”. (ANSA).