ENNA, 28 MAR (ANSA) – Pais de vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica enviaram ao papa Leão XIV uma carta na qual dizem se sentir “abandonados” pelo pontífice e pela Santa Sé.
A manifestação chega após Robert Prevost ter defendido a necessidade de “misericórdia” para sacerdotes pedófilos, em uma mensagem para uma assembleia da Conferência Episcopal da França, país onde 330 mil menores de idade foram abusados por membros religiosos e leigos da Igreja desde 1950, segundo um relatório divulgado em 2021.
“Nós, pais, morremos junto com eles, porque seus misericordiosos padres pedófilos, para satisfazer sua perversão sexual, não destroem apenas as vítimas, não, querido papa Leão, eles destroem também as famílias delas”, diz a carta enviada ao pontífice por um grupo de pais e mães de italianos sobreviventes de abusos por parte do clero.
“Como mães e pais, nos sentimos ofendidos por essas palavras e, há algum tempo, também nos sentimos ofendidos pela Igreja, que nos abandonou após as denúncias”, acrescenta o documento.
Uma das signatárias é Rita Cappa, mãe de Antonio Messina, vítima do padre Giuseppe Rugolo, que foi condenado a três anos de prisão por violência sexual contra menor de idade.
“Os abusos são um homicídio da alma, um homicídio psicológico. Nossos filhos nos foram tirados. Eles nunca mais serão os mesmos, e nós, as famílias, somos forçadas a conviver com um trauma que nos consome por dentro”, disse ela.
A fala polêmica do Papa está em uma mensagem divulgada na última quarta-feira (25), na qual ele destacou que é preciso “continuar demonstrando a preocupação da Igreja com as vítimas e a misericórdia de Deus com todos”. “É bom que os sacerdotes culpados de abusos não sejam excluídos dessa misericórdia”, acrescentou. (ANSA).