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Pai do fundador do WikiLeaks diz que seu filho ‘pode morrer na prisão’

Pai do fundador do WikiLeaks diz que seu filho ‘pode morrer na prisão’

John Shipton, pai biológico do fundador do site WikiLeaks Julian Assange fala em frente seu escritório em Londres, 5 de novembro de 2019 - AFP

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, “pode morrer na prisão”, alertou nesta sexta-feira (8) em Genebra, o pai do jornalista.

John Shipton disse à imprensa que na quarta-feira visitou o filho, atualmente preso em Londres e ameaçado de extradição aos Estados Unidos, “durante as duas horas as quais ele tem direito”.

“Julian pode morrer na prisão após nove anos de perseguição por revelar a verdade sobre crimes de guerra”, insistiu Shipton.

O australiano enfrenta uma pena de até 175 anos de prisão nos Estados Unidos, que o acusam de colocar em risco algumas de suas fontes quando, em 2010, publicou 250.000 telegramas diplomáticos e cerca de 500.000 documentos confidenciais sobre as atividades do exército americano no Iraque e Afeganistão.

Na semana passada, um especialista em tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), Nils Melzer, compartilhou sua preocupação com o estado de saúde de Assange, afirmando que “sua vida agora está em perigo”.

O fundador do WikiLeaks está preso em Londres, desde que a polícia britânica o capturou em abril na embaixada do Equador, onde buscou refúgio em 2012.

“Seu estado de ânimo não parece ter diminuído, mas ele está muito magro”, disse o pai dele, acrescentando que é injusto condenar alguém por ter revelado crimes.

“Em todos os países que conheço, na Suécia, no Reino Unido, na Austrália e nos Estados Unidos, ocultar crimes é crime”, afirmou. “Eles não podem mandá-lo para a prisão por denunciá-los … é realmente obsceno”, destacou.