Pai de Ana Paula Renault, do BBB26, apoiou ditadura militar

Participante do reality show defende ideias expostas pela política de esquerda

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Ana Paula Renault com o pai, Gerardo Renault Foto: Reprodução/TV Globo

Gerardo Renault, 96 anos, pai da participante do BBB26 Ana Paula Renault, é sempre citado quando a jornalista fica em evidência, desde a sua primeira participação no reality show, em 2016, da qual foi expulsa por descumprimento de regra. O que pouca gente sabe é que o genitor da sister, que tem seu lado político direcionado à esquerda, teve a maior parte de sua carreira política vinculada a um partido de apoio à ditadura militar, a Arena.

Ex-deputado, ele também apoiou a candidatura de Paulo Maluf na eleição presidencial indireta de 1985. Renault atuou como deputado estadual e federal pela Arena, legenda que serviu de apoio à ditadura durante o regime militar. Integrante da base governista, Gerardo defendeu a legitimidade das instituições militares, segundo reportagens de jornais da época.

Depois, se filiou ao PDS (Partido Democrático Social), sigla sucessora da Arena. O ex-político apoiou Paulo Maluf no Colégio Eleitoral de 1985. Embora tenha votado a favor da emenda das Diretas Já em 1984, ele manteve fidelidade a Maluf na escolha do sucessor do regime, divergindo da ala do PDS que migrou para o apoio a Tancredo Neves.

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Fez parte de chapa de 1986 que incluiu um ex-ministro da ditadura. Após a redemocratização, Renault concorreu a vice-governador de Minas Gerais ao lado de Murilo Paulino Badaró, que foi ministro da Indústria e Comércio no governo de João Figueiredo, último presidente do regime militar.

Gerardo participou de diversas comissões parlamentares. Ele passou pelas Comissões de Transportes, Comunicações e Obras Públicas e de Assuntos Municipais e Interestaduais, enquanto deputado estadual e pela Comissão de Agricultura e Política Rural quando deputado federal. Na Assembleia Legislativa de Minas, teve funções de destaque, como a vice-liderança do partido e do governo estadual (1971-1973) e segunda vice-presidência da Assembleia (1973-1974), além de ser relator da nova Constituição de Minas Gerais.

A visão seguia a lógica tutelar da época. O discurso reconhecia a situação do grupo, mas propunha a administração estatal dos indígenas, alinhada à política vigente antes da Constituição de 1988.

Gerardo Renault preside o Iplemg há 35 anos. Ele foi eleito para o comando do Instituto de Previdência do Legislativo de Minas Gerais em 1991 e permanece no cargo desde então. A aposentadoria registrada em novembro de 2025 foi de R$ 18 mil. Segundo o Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, o valor exato recebido pelo político aposentado foi de R$ 18.082,81.