A especulação de que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco se filiaria ao MDB para dar palanque ao presidente Lula (PT) como candidato ao governo de Minas Gerais foi rapidamente dissolvida.
Procurado pela IstoÉ, Pacheco afirmou que não anunciaria candidatura em um partido sem a ele estar filiado. Embora esteja de saída do PSD, o parlamentar não concretizou a mudança e tem negociações com o União Brasil, do aliado Davi Alcolumbre (AP), para isso.
Já o MDB tem como pré-candidato ao Palácio da Liberdade o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, que disse à IstoÉ não haver espaço para dois postulantes no mesmo partido, mas sim para quem quiser somar, ampliando as chapas emedebistas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
“Como sei que o MDB é seu partido do coração, convidarei-o pessoalmente a se filiar após o prazo mínimo [para registro de candidatura], para que não prosperem boatos e a bancada do MDB no Senado receba esse quadro político mineiro repleto de qualidades”, afirmou.
Durante a conversa, Azevedo estava em Viçosa, cidade onde recebeu o apoio do prefeito Ângelo Chequer (União Brasil). Horas antes, publicou nas redes sociais uma troca de mensagens em que Pacheco afirma não ter dado nenhuma declaração sobre candidatura ou filiação ao MDB.
O senador @rodrigopacheco pediu para que eu divulgasse essa mensagem. Está divulgada. Estou em Viçosa, na nossa pré-campanha de governador de Minas Gerais pelo MDB, recebendo o apoio do prefeito Ângelo Chequer, do União Brasil. Em frente, povo mineiro. pic.twitter.com/7XRipX1h4n
— Gabriel Azevedo (@GSMA1986) February 26, 2026
Os movimentos de Pacheco
Ao filiar o vice-governador Mateus Simões, que assumirá o cargo para disputar a reeleição após a renúncia do titular, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, no campo da direita, o PSD abriu mão de Pacheco.
O senador é aliado de Lula e citado pelo petista como “seu candidato” ao governo. Mesmo que não volte a disputar eleições, como tem afirmado publicamente, a tendência é de que ele leve seu grupo político para um partido que possa se alinhar ao projeto de reeleição do presidente no estado.
O caminho mais provável é o União Brasil, que recentemente passou a ser comandado em Minas pelo deputado federal Rodrigo de Castro, aliado do ex-presidente do Senado, em sinal de afastamento da coalizão de Simões. Mas PSB e MDB, onde Pacheco militou de 2009 a 2018, surgiram como alternativas.

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No caso emedebista, há uma divisão de interpretações quanto à empreitada de Azevedo. Fontes avaliam que, até que a candidatura seja registrada e receba verba da sigla, não há garantia de lançamento; por outro lado, o ex-vereador tem se encontrado com prefeitos e dialogado com lideranças de PSDB, Cidadania e PSB para composição de chapa.
Na configuração atual, Lula segue sem palanque definido no segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de votantes, e estado que “decide” quem sobe a rampa do Palácio do Planalto há quase oito décadas — no período, apenas Getúlio Vargas se elegeu presidente, em 1950, sem ter maioria dos mineiros.
Como mostrou a IstoÉ, o diálogo com ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), não foi adiante; a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pretende concorrer ao Senado; e outros nomes cotados pelo grupo, como o da reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Sandra Goulart, não empolgam.