Comportamento

Outros casos controversos sobre a morte digna

Outros casos controversos sobre a morte digna

Várias pessoas mostram seu apoio ao bebê britânico Alfie Evans perto do hospital infantil Alder Hey de Liverpool, em 26 de abril de 2018 - AFP/Arquivos

Como o caso do francês Vincent Lambert, que morreu nesta quinta-feira (11) e se tornou um símbolo do debate sobre a morte digna em seu país, os pacientes em estado vegetativo foram nos últimos 20 anos alvo de controvérsias e batalhas legais na Europa e nos Estados Unidos.

– Vincent Humbert –

Tetraplégico, mudo e quase cego após sofrer um acidente de trânsito, mas com as faculdades intelectuais intactas, o também francês Vincent Humbert morreu em 26 de setembro de 2003.

Em sua cama no hospital Berck-sur-Mer (norte do país), este ex-bombeiro havia solicitado solenemente por escrito ao ex-presidente Jacques Chirac “o direito a morrer”. Este lhe respondeu: “Não posso te dar o que você espera”.

Sua mãe Marie tentou cumprir seu desejo no aniversário do acidente, em 24 de setembro de 2003, injetando barbitúricos em uma de suas perfusões.

Em coma, Humbert continuou com vida por dois dias, até que o médico Frédéric Chaussoy desconectou seu respirador artificial. Tribunais, a mãe e o médico se beneficiaram de um arquivamento da causa em fevereiro de 2006.

– Charlotte Wyatt –

Quando nasceu em Portsmouth, sul da Inglaterra, em outubro de 2003, três meses antes do previsto, Charlotte Wyatt pesava apenas 450 gramas e media só 13 centímetros. Poucos meses depois, uma primeira parada cardíaca danificou seu cérebro de maneira irreversível.

Em estado vegetativo, a bebê quase cega era assistida com um respirador artificial. Sua sobrevivência provocou uma intensa batalha judicial na Inglaterra, muito divulgada na imprensa, entre os pais e o corpo médico.

Após várias decisões contraditórias, os juízes finalmente decidiram a favor dos pais, que defendiam o direito à vida em nome de suas convicções cristãs. Em 2017, Charlotte continuava viva, segundo seu pai.

– Terri Schiavo –

Nos Estados Unidos, Terri Schiavo, de 41 anos, que estava em coma havia 15, morreu de desidratação em 31 de março de 2005, após quase duas semanas sem comer. Seu marido, Michael, obteve ante a justiça o direito de que não fosse mais mantida com vida, contrariando os desejos de seus pais. Sua batalha judicial, também muito divulgada, durou sete anos anos.

Terri Schiavo estava em “estado vegetativo persistente” desde que sofreu uma parada cardíaca em 1990, aos 26 anos. Após oito anos em coma, seu marido pediu ante o tribunal pela primeira vez para suspender a alimentação a sua esposa, contra a opinião dos pais dela.

– Eluana Englaro –

A morte de Eluana Englaro, em 9 de febrero de 2009, após 17 anos em estado vegetativo, a transformou em símbolo da luta pelo direito a morrer com dignidade na Itália, muito dividida neste tema.

Por solicitação de seu pai, o Tribunal de cassação havia autorizado em dezembro de 2008 que se parasse de alimentar a jovem que, antes de seu acidente de trânsito, havia manifestado sua rejeição a qualquer ‘obstinação’ terapêutica.

A italiana, então de 38 anos, sobreviveu por apenas três dias quando parou de ser alimentada e hidratada artificialmente, o que foi denunciado como um assassinato pela Igreja católica. Anos depois, sua história inspira o cineasta Marco Bellocchio para o filme “A Bela que Dorme”.

– Charlie Gard –

Em 28 de julho de 2017 em Londres, Charlie Gard, que sofria de uma doença genética considerada rara, morreu pouco antes de seu primeiro aniversário, depois de que foi suspensa sua respiração artificial. Seus pais multiplicaram, em vão, os recursos contra o fim do tratamento decidido pela equipe médica.

Dois dias antes da morte, uma sentença judicial definitiva autorizou a interrupção do tratamento após o fracasso de uma tentativa de conciliação entre os pais e o hospital.

– Alfie Evans –

Ao fim de uma batalha judicial, Alfie Evans, que sofria de uma rara doença neurodegenerativa, morreu em 28 de abril de 2018 com 23 meses de idade, depois de que foi interrompido seu tratamento no hospital para crianças Alder Hey de Liverpool (noroeste da Inglaterra).

Os pais se opunham à interrupção do tratamento. A justiça britânica havia rejeitado sua última apelação solicitando uma terapia adicional na Itália, onde alguns hospitais estavam dispostos a tratar o bebê.