Ouro Francês


Esta Olimpíada provou que os franceses, definitivamente, adoram dar uma achincalhada no nosso país.

Mania atávica de colonizadores isso de meter o pau nas colônias.

Ainda mais na colônia dos outros.

Coisa de gente insegura.

O primeiro recado malcriado francês veio em 1955, quando o antropólogo Claude Lévi-Strauss, no livro Tristes Trópicos, afirma:

“O Pão de Açúcar, o Corcovado, todos esses pontos tão louvados parecem ao viajante que penetra na baía como tocos de dentes perdidos nos quatro cantos de uma boca banguela.”

Infeliz.

Banguela deve estar essa sua boca, Claudinho, se revirando no caixão depois de perderem no salto com vara, no volei e no boxe.

Ora por favor.

A segunda calhordice foi proferida por Charles de Gaulle quando afirmou que “o Brasil não é um país sério”.

Mentira.

O Brasil não é mesmo um país sério, só que não foi de Gaulle quem fez a afirmação, mas sim o próprio embaixador brasileiro na França, Carlos Alvez de Souza em 1962.

Acabou que de Gaulle levou a culpa e, como não somos sérios, a culpa fica para ele mesmo.

Agora mais essa.
Circulou ontem, não só pelas redes sociais mas também pela TV e jornais a notícia de que o técnico Philippe d’Encausse – do saltitante com vara Renaud Lavillenie, o mais novo inimigo número um do país – teria dito que o “Brasil é um país bizarro” e que o salto de ouro do brasileiro Thiago Braz teria sido ajudado por “forças místicas, talvez as do Candomblé”.

Foi o suficiente para despertar a fúria dos meus compatriotas.

Acusar a gente de usar o candomblé para o salto com vara?

Bem o salto com vara?

Me diga qual Mãe de Santo perderia seu tempo com o salto com vara sabendo que estamos bambeando no futebol?

Não vamos disputar o ouro no futebol feminino, amigo.

Você acha que desperdiçaríamos candomblé no salto com vara?

Ora por favor.

Hoje a farsa foi revelada.



Como de Gaulle, d’Encausse também foi vítima de uma acusação falsa.

O moço, coitado, nem sabe o que é candomblé.

Foi o repórter do jornal Le Monde, Anthony Hernandez quem inventou essa paspalhice.

Segundo Hernandez, a referência ao candomblé foi apenas uma “extrapolação pessoal”, um eufemismo para invenção imbecil.

A afirmação de que somos um país bizarro ninguém deu bola, afinal bizarro o Brasil é mesmo.

Somos bizarros e não somos sérios.

Mas com dois ouros franceses no peito.

Merci.


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Sobre o autor

Mentor Muniz Neto, 51, é escritor. Mora em São Paulo com suas filhas Manuela, Olivia e Catarina e escreve crônicas do cotidiano que às vezes parecem realismo fantástico


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