Economia

Ouro fecha em baixa de mais de 4%, com alta do dólar após Fed ‘hawkish’


O contrato de ouro no mercado futuro em Nova York fechou em forte queda nesta quinta-feira, um dia após os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) adotarem um tom mais ‘hawkish’ (mais dura) em relação à política monetária da entidade. Isto fez com que o dólar operasse em alta ante rivais durante toda a sessão, tornando o metal mais caro e, portanto, menos atraente a investidores que negociam em outras divisas.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para agosto recuou 4,65%, a US$ 1.774,80 por onça-troy.

Além da pressão por conta do câmbio, o metal precioso sofreu com a alta nos juros dos Treasuries logo após o comunicado de quarta do Fed.

Segundo as novas projeções do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), a maioria dos dirigentes preveem uma dupla alta na taxa básica de juros em 2023. Nesta quinta, no entanto, os retornos dos títulos com vencimento mais longo recuaram, mas não o suficiente para inverter o movimento do ouro.

O movimento do contrato da commodity metálica também contrariou a alta nas projeções inflacionárias do Fed, segundo destaca o analista da Natixis Bernard Dahdah. Na quarta, o presidente do BC americano, Jerome Powell, disse que a inflação nos EUA acelerou de forma “notável” nos últimos meses. Por ser um ativo considerado seguro para fazer hedge em períodos de alta nos preços, o ouro costuma se beneficiar de maiores expectativas inflacionárias.

“Ao contrário da crença popular de que uma alta inflação leva a altos preços do ouro, o metal precioso só se beneficiaria enormemente se a inflação ultrapassar 4% ao ano”, explica Dahdah.

O analista destaca que a principal preocupação para o mercado é, de fato, a alta dos Fed funds.

Na visão do Commerzbank, a previsão de que a autoridade monetária dos EUA elevará juros em 2023 não justifica uma queda tão forte da commodity metálica como ocorreu nesta quinta. “Aumentos das taxas daqui a dois anos estão muito longe para justificar qualquer queda no preço, especialmente porque os rendimentos dos Treasuries estão bem abaixo da inflação esperada”, avalia o banco alemão, em relatório a clientes.

*Com informações de Dow Jones Newswires

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