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Os planos do novo homem da Cultura

Novo secretário considera presidente Jair Bolsonaro um estadista e é simpático ao ideário do guru Olavo de Carvalho. Sua gestão deve ser marcada pela intensificação da guerra cultural contra as esquerdas e as minorias

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DESCONTRAÇÃO Frias posa para foto em ensaio do extinto site Paparazzo: falta de experiência em gestão e determinação para implantar uma política cultural conservadora (Crédito: Divulgação)

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Ser a quinta tentativa em 18 meses na pasta já diz muito sobre a situação turbulenta em que se encontra a Secretaria Especial da Cultura. O ator Mario Frias foi escolhido na semana passada como sucessor da atriz Regina Duarte e terá a incumbência de intensificar a guerra cultural deflagrada pelo presidente Jair Bolsonaro contra a comunidade artística. Mesmo sem experiência na gestão da área, Frias tem o apoio de membros destacados do governo e de sua base de apoio, como a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e também da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Ele também é uma incógnita como político. O que se sabe pelas suas postagens nas mídias sociais, é que apóia de maneira intransigente o presidente Jair Bolsonaro, a quem considera um grande estadista, e é simpático ao ideário do guru Olavo de Carvalho, que prega o combate implacável às manifestações de esquerda ou de minorias na cultura.

ALIADOS Frias ao lado do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (acima), e junto com o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo (Crédito:Divulgação)

Frias tomou posse como secretário sem qualquer anúncio prévio ou cerimônia. A posse aconteceu no gabinete do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, a quem Frias está subordinado. Em seu primeiro dia no cargo, ele esteve com Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, uma das entidades vinculadas ao Ministério. O encontro demonstra que o novo secretário quer fazer uma gestão alinhada com os bolsonaristas mais empedernidos. Camargo é crítico do movimento negro, que classificou, há duas semanas, como um “conjunto de escravos ideológicos da esquerda”. Frias e Camargo trocaram gentilezas no encontro e pelas mídias sociais mostraram afinidade de ideias. O secretário adjunto de Frias, Pedro Horta, que também esteve com Camargo, chegou a dizer que Camargo “faz um trabalho brilhante em defesa da Nação”.

O novo secretário comandará um orçamento de R$ 366,43 milhões em 2020, 36,6% menor do que os R$ 578,3 milhões do ano passado. O valor não inclui os recursos destinados às sete autarquias e fundações vinculadas ao ministério: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Agência Nacional do Cinema (Ancine), Fundação Biblioteca Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa, Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Fundação Cultural Palmares. Algumas dessas entidades, como o Iphan, a Casa de Ruy Barbosa e a própria Fundação Palmares estão abandonadas à própria sorte e se afastando de suas funções originais.
O primeiro a assumir a secretaria da cultura foi o gaúcho Henrique Medeiros Pires, assim que Bolsonaro tomou posse. Licenciado em Estudos Sociais pediu exoneração depois que Bolsonaro criticou produções audiovisuais de temática LGBT e decidiu suspender o processo de seleção das obras. Pires disse que não aceitaria qualquer tipo de censura. Em seu lugar, assumiu o economista Ricardo Braga, que durou menos de dois meses no cargo. O terceiro secretário foi Roberto Alvim que caiu depois de fazer uma encenação nazista e uma citação do propagandista de Adolf Hitler, Joseph Goebbels. Aí veio Regina Duarte, que passou três meses no cargo sem dizer a que veio e acabou deixando a pasta de uma maneira humilhante. Frias, que agora assume, apareceu como galã no final dos anos 1990, na série Malhação, da TV Globo. Antes havia atuado no seriado Caça-talentos, protagonizado por Angélica no papel de Fada Bela. Em 2014, ele retornou para Malhação em mais uma temporada da novela. Agora, a sua missão é fomentar o bolsonarismo.

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