Os ‘parças’ de décadas do Queiroz agora posam de salvadores da democracia

Crédito: AFP/Arquivos

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Ai, ai… não sei se minha preguiça é maior em ler a mentirada oficial do pimpolho bolsokid, ou em ouvir o zurro em eco da manada, repetindo as falácias. Em entrevista, o senador Flávio Bolsonaro, aquele que compra mansão de 14 milhões de reais por 6 milhões apenas e que vende panetones de chocolate como ninguém, inclusive fora da temporada, sempre em dinheiro vivo, declarou que seu papis, Jair, o verdugo do Planalto, salvou a democracia brasileira.

Sim, meus caros, juro! Ele disse isso mesmo. Disse que o devoto da cloroquina resistiu às pressões de seus conselheiros – imagino a qualidade intelectual dos valentes, hehe – e não prosseguiu com o golpe de Estado, porque ‘seria um ditador’. Bem, uma coisa seria esse ditador querer. Outra, bem diferente, seria poder. Jair Bolsonaro, o maníaco do tratamento precoce, tentou, sim, até o último suspiro de sua insignificância, golpear nossa democracia pela força.

Porém, esbarrou em alguns ‘pequenos’ detalhes: o Brasil tem 215 milhões de habitantes, sendo que 87% não o apoiariam; 60% o detestam; são 26 estados e um Distrito Federal (e não a Avenida Paulista apenas); são mais de 5 mil municípios (e não seu WhatsApp apenas); as Forças Armadas são muita gente (e não só meia dúzia de oficiais de pijama aloprados); há organizações mundiais, como ONU, OCDE, UE e outras, que não aceitariam o Brasil.

Então, vejamos: sem apoio popular; sem maioria nas Forças Armadas; sem governadores e prefeitos; sem juízes, desembargadores e ministros; sem vereadores, deputados estaduais e federais e senadores; sem sindicatos e trabalhadores; sem dinheiro e sem crédito internacional, que diabo de golpe seria esse? Bolsonaro, os tiozões da internet, o ‘véio da Havan’, Olavo de Carvalho e o ‘gengivão’, lá dos EUA, Carla Zambelli e os blindados-fumacês?

Se tentasse, de fato, ao fim e ao cabo, o golpe, e conseguisse algum sucesso, o maridão da ‘Micheque’ não passaria mais do que uma semana como ditador e seria atirado numa cela, sem as regalias que gozou o meliante de São Bernardo. Aliás, como fora longe demais, já nos atos antidemocráticos de 7 de setembro, corria um sério risco de conhecer a Papuda de perto, e só por isso, covarde como é, refugou, enfiou o rabicó entre as pernas e pediu penico.

Por isso, assinou caladinho, caladinho a cartinha humilhante de arrego, escrita por Michel Temer, chamando Alexandre de Moraes, outrora Xandão, de ‘jurista e professor’, dizendo que respeita o Supremo e as Instituições democráticas, deixando o gado marchando sem rumo, atônito, aguardando novos factoides para idolatrar o falso mito. Flavinho Wonka deveria aproveitar a entrevista e explicar sua transações imobiliárias e o peculato que comia solto em seu gabinete, isso sim.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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