Tecnologia & Meio ambiente

Os homens que conversam com pássaros

Ao analisar a relação entre tribos africanas e aves especialistas em encontrar mel, pesquisadores comprovam que é possível haver comunicação e colaboração entre seres humanos e animais silvestres

Crédito: Claire Spottiswoode

COLABORAÇÃO Acima, homem da etnia Yao segura um pássaro da família Indicatoridae. (Crédito: Claire Spottiswoode)

Acima, “caçadores” coletam mel
Acima, “caçadores” coletam mel (Crédito:Claire Spottiswoode)

Honeyguide é o nome popular em inglês de uma família de pássaros encontrados na Ásia e em boa parte da África, ao sul do deserto do Saara. Traduzindo literalmente, eles seriam chamados de “guias do mel”. Essas aves são famosas pela capacidade de achar colmeias no alto de árvores ou no interior de troncos. A partir de agora, a fama desses passarinhos se estenderá também ao campo científico. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram comprovar que é possível haver comunicação e colaboração entre seres humanos e animais silvestres. Para isso, estudaram a parceria que algumas tribos africanas estabeleceram com os “guias do mel”. Quando querem sair para caçar o precioso alimento, essas pessoas usam um tipo específico de chamado – que soa como “brrr-hmm” – para atrair as aves, que respondem saindo à procura das colmeias (confira quadro). O acordo também funciona no sentido contrário: quando encontram as colmeias por conta própria, os pássaros da família Indicatoridae (indicadores) emitem um som particular para chamar os humanos.

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Essa inusitada parceria é conhecida pelos europeus desde o século 16, quando um missionário português descreveu a caça ao mel pela primeira vez. As observações, no entanto, foram desacreditadas pela comunidade científica da época. Agora, o estudo publicado na revista “Science” mostra que o acordo entre homem e pássaro não é coincidência.

Sucesso maior

“O chamado característico dos humanos deixa claro que eles querem seguir os pássaros”, diz a bióloga Claire Spottiswoode, professora das universidades de Cambridge e da Cidade do Cabo, que conduziu os estudos com membros do povo Yao em Moçambique. “Os ‘guias do mel’ usam essa informação para escolher seus parceiros para a caça.” O levantamento demonstrou que a colaboração aumenta as chances de sucesso de 17% para 54%. Enquanto as pessoas se fartam com o mel, os pássaros estão interessados na cera de abelha e nas larvas existentes no interior das colmeias.

A colaboração entre pessoas e animais treinados é relativamente comum, como demonstram os cães de caça e os falcões usados em competições. Na natureza, no entanto, esse é um fenômeno raro. De acordo com os cientistas, o único outro caso conhecido, mas que ainda precisa ser estudado, é o de golfinhos que se unem a pescadores na busca por peixes.


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