Sergio Moro cometeu vários erros ao longo de sua curta carreira política, mas, talvez, o maior deles tenha sido trocar o Podemos pelo União Brasil, presidido por Luciano Bivar. No Podemos, o ex-juiz tinha tapete vermelho, carro blindado, dinheiro para sua movimentação pelo País e toda a estrutura do partido estava voltada para lhe atender. Por esse partido, chegou a registrar 10% nas pesquisas para presidente e sua candidatura era vista como opção para liderar a terceira via, quebrando a polarização. Ele, no entanto, achou tudo isso insuficiente e, sem avisar ninguém, deixou a sigla e se filiou ao União Brasil, no apagar das luzes da janela partidária. Entendia que na nova casa teria mais dinheiro e tempo na TV para fazer sua candidatura deslanchar. Ledo engano.

Bivar

Para entrar no União Brasil, o deputado Bozzella Junior, do comando paulista, prometeu turbinar sua campanha para presidente, sem combinar nada com Bivar, que é quem realmente manda na sigla. Logo no primeiro dia, o ex-juiz soube que teria que abandonar a candidatura presidencial e abraçar a disputa para deputado. Bivar é o presidenciável.

Inexperiência

Pagou pela falta de malícia. Ou, como disse o senador Alvaro Dias, um dos artífices do ingresso de Moro na política: o ex-juiz pode ter mostrado “inaptidão para a atividade política”, acrescentando que esse desgaste pode ser irreversível. O ex-juiz já havia cometido um erro capital ao trocar a toga de juiz federal pelo ministério de Bolsonaro.

Troca de comando na campanha de Doria

Os erros de Moro
Gilberto Marques

João Doria, candidato do PSDB a presidente, decidiu tirar o presidente nacional da legenda, Bruno Araújo, da coordenação de sua campanha. No seu lugar, entra Marco Vinholi, presidente estadual do PSDB paulista. Ao explicar a mudança, Doria disse que embora tenha ganhado as prévias, Araújo vinha relativizando sua vitória. Vinholi, por seu lado, é considerado por ele um hábil articular político.

Retrato falado

Os erros de Moro
“O Solidariedade não quer ser o patinho feio da coligação com o PT” (Crédito: Sergio Lima)

Paulinho da Força saiu espumando do encontro, na quinta-feira, 14, de sindicalistas com Lula, incluindo lideranças da Força Sindical, à qual é ligado. Presidente do Solidariedade, foi vaiado por petistas presentes à reunião. Magoado, cancelou um ato que realizaria em apoio a Lula no dia 3 e pediu uma reunião com Gleisi Hoffmann para que lhe diga se o apoio de seu grupo a Lula é importante ou não. “Se não for, caio fora”, disse ele, negando que possa apoiar Jair Bolsonaro.

Jogo de cena

Ao trocar a direção da Petrobras pela terceira vez, Bolsonaro faz mais uma jogada política para dar a entender aos incautos que está fazendo das tripas coração para provocar a queda nos preços dos combustíveis e que, para tanto, teria feito sucessivas mudanças na presidência da estatal com o sublime objetivo de melhorar a vida das pessoas. Tudo não passa de mais uma das farsas do capitão. Ele sabe que se a Petrobras não reajustar os preços da gasolina e do diesel conforme os preços em dólar, que é o que regula esse comércio internacional, a petroleira não terá como continuar abastecendo o mercado interno. Balela a história de que a empresa não deve dar lucro.

Generais

O que Bolsonaro quis, ao demitir Joaquim Luna e Silva, foi humilhar mais um general. Ele foi o décimo general espezinhado pelo ex-capitão (já enxotou do Planalto generais como Santos Cruz e Rêgo Barros). Freud explica: como foi expulso do Exército, vinga-se agora dos militares de patentes superiores.

Candidato do bem

Quem vê a política com ressalvas e não se julga representado no Congresso, dado o baixo nível parlamentar, já pode ir se animando, pois começam a surgir nomes respeitáveis para disputar uma cadeira na Câmara. É o caso do historiador Marco Antonio Villa. Articulista da ISTOÉ, ele é um dos cientistas políticos mais importantes do País.

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Divulgação

Protagonismo

Villa diz que decidiu ser candidato a deputado federal pelo Cidadania para ajudar São Paulo a retomar o protagonismo político nas grandes questões nacionais. Para ele,“a próxima legislatura tem o dever de libertar o Brasil do extremismo”. E emenda um slogan:“É preciso republicanizar o Brasil. A Câmara deve fiscalizar de fato o Executivo”.

PSD bate martelo e terá 10 candidatos a governador

Os erros de Moro
Vanessa Carvalho

Assediado para compor alianças nacionais com vistas à Presidência, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, submergiu para a montagem das candidaturas nos estados. Ele já conseguiu acordos para lançar 10 candidatos a governador, como o advogado Felipe Santa Cruz, no Rio. Acha que o partido tem grandes chances no Paraná (Ratinho Junior) e em Minas Gerais (Alexandre Kalil).

Toma lá dá cá

Os erros de Moro
Deltan Dallagnol, ex-procurador da República no Paraná (Crédito: Pedro Ladeira)

Como vê a sucessão de denúncias de corrupção no governo Bolsonaro?
A corrupção não é exclusividade de um partido. Todos os casos de corrupção devem ser investigados e os criminosos, punidos. Bolsonaro deixou de lado o combate à corrupção.

O que achou de Sergio Moro ter deixado o Podemos em direção ao União Brasil?
Não respondo pelo ex-juiz, embora tenha por ele uma grande admiração. Não pretendo deixar o Podemos e a minha candidatura a deputado está mantida.

Caso seja eleito, pretende continuar a luta iniciada com a Operação Lava Jato?
O Congresso é a chave para mudar a realidade do combate à corrupção. Precisamos eleger pelo menos 200 deputados e senadores comprometidos com essas pautas.

Rápidas

* Especialistas em Direito Eleitoral dizem que a motociata promovida por Bolsonaro na Semana Santa, atrapalhando o tráfego de veículos na rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, é campanha antecipada e deveria ser punida. O estado gastou R$ 1 milhão com a brincadeira.

* A senadora Leila Barros (PDT-DF) foi lançada candidata a governadora de Brasília pelo presidenciável Ciro Gomes na segunda-feira, 18. Em março, ela deixou o Cidadania, que só ficou com a senadora Eliziane Gama.

* A qualidade de vida dos brasileiros vai de mal a pior. A cesta básica dos alimentos teve uma alta de 21% nos últimos 12 meses (só em março subiu 5,27%). Os vilões foram o tomate (mais 94,6%), café (64,7%) e açúcar (35,7%).

* Uma grande quantidade de pessoas ligadas ao esporte decidiu disputar uma vaga na Câmara em outubro. Entre elas, Vanderlei Luxemburgo, conhecido por “profexor”, Joel Santana e o jogador de vôlei Maurício Souza.