Edição nº2555 07/12 Ver edições anteriores

Os doutores de Bolsonaro

Enquanto desempenhava o papel de candidato, o capitão Jair Bolsonaro não escondeu de ninguém seu absoluto desconhecimento sobre importantes questões nacionais. Uma criminosa mas providencial facada lhe permitiu passar em silêncio boa parte da campanha, o que certamente pesou em sua inconteste vitória. Já presidente, o truculento militar — expulso do Exército e mais tarde favorecido por espécie de “redução de pena” imposta pelo Superior Tribunal Militar, um dos mais escancarados redutos de privilégios — insiste em deixar clara sua aparente ignorância sobre alguns temas. O mais visível envolveu o programa Mais Médicos e os profissionais cubanos que lhe permitiram virar realidade.

Só quem nunca viu, quem nunca ouviu ou quem nunca se preocupou de verdade com o que se passa nos rincões desse País consegue proferir as bobagens ditas pelo capitão e seus asseclas. E, dessa vez, quem paga a conta não são seus adversários políticos, são os brasileiros pobres. Não se trata de ideologia, mas de burrice e ingenuidade explícitas.

Burrice por desconhecer o que é o Programa Mais Médicos e por ignorar ou se fazer de cego diante o fato de que no Brasil milhões de pessoas só tiveram acesso a um médico depois que os cubanos vieram. E, agora, estão novamente desassistidos. Burrice por imaginar que médicos de outras nacionalidades não estivessem nessas periferias porque os cubanos já estavam por ali. Ingenuidade por acreditar que jovens médicos recém-formados no Brasil possam ocupar esses postos, ainda que lhes oferecendo salários de R$ 11 mil. A imensa maioria de nossos alunos de Medicina e também dos pais que lhes custeiam os estudos imaginam outros horizontes e outros pacientes. Gente mais limpinha e mais aquinhoada. Imaginam consultórios em bairros nobres e não cabanas improvisadas. Claro, há uma minoria com alguma sensibilidade social que poderá atender ao programa. São dignos de elogios. Há também aqueles que atenderão ao chamado e por algum tempo receberão salários, embora nem sempre estarão presentes nos lugares de trabalho.

Apenas para ilustrar o problema, nas últimas semanas houve enorme inquietude entre médicos e estudantes de medicina. Não por que milhões de brasileiros ficaram sem acesso à saúde com a saída dos cubanos, mas porque tramita no Congresso uma lei que obriga o formado em Medicina a prestar um exame antes de exercer a profissão, assim como fazem os bacharéis em Direito. É com essa gente que o presidente eleito espera levar saúde aos brasileiros! Gostaria muito de ver os doutores que fizeram a campanha do capitão trocarem os impecáveis jalecos brancos por aventais verdes e amarelos e se embrenharem no Brasil profundo para exercer a nobre função. Com o fim da corrupção do PT, agora é a hora de mudar o Brasil!

 


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