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Os donos do cofre eleitoral

Quem são os presidentes de partidos nanicos que, por administrarem milhões do Fundo Eleitoral, poderão se tornar um fator de desequilíbrio nas eleições de outubro

Os donos do cofre eleitoral

Partidos sem identidade ideológica e com pouca representatividade terão à disposição quase R$ 100 milhões

Eles não possuem identidade ideológica, muito menos programática, e compõem o time de ilustres desconhecidos da política. Não são empreiteiros, nem empresários. Mesmo assim, a eles podem ser conferidos um peso importante, senão decisivo, – a julgar pelo embolado cenário atual –, nas eleições de outubro. Trata-se dos presidentes de partidos políticos menores – ou nanicos. Nas mãos deles, estarão as chaves do cofre de um naco considerável do bilionário Fundo Especial de Financiamento da Campanha, ou apenas Fundo Eleitoral, principal fonte de ajuda financeira aos candidatos das 35 legendas inscritas no TSE. Um total de R$ 1,7 bilhão deve ser depositado pela União no dia 1º de junho, mas a distribuição da quantia já causa espécie. Pelas regras atuais, os partidos nanicos, sem maior representatividade no Congresso Nacional, serão os grandes beneficiados por morder milhões de reais sem ter obtido votações relevantes no pleito de 2014.

Até quatro anos atrás, as pequenas legendas, sem perspectiva eleitoral, eram renegadas pelos doadores privados e, muitas vezes, trocavam tempo de tevê por dinheiro para se manterem vivas. Agora será diferente. O novo fundo vai injetar recursos que multiplicarão a receita de algumas delas, sem nenhum esforço. É o caso do PHS, que terá em caixa neste ano quantia sete vezes maior do que a que arrecadou em 2014 para bancar as eleições de seus candidatos. Já o PRB, que naquele ano amealhou R$ 10,2 milhões, agora terá a seu dispor R$ 67 milhões. Assim como as duas siglas, outras legendas nanicas também ganharão cobertor maior por causa da nova fonte de receita eleitoral.

No PHC, quem vai dar as cartas é um ex-líder estudantil de Goiânia, Eduardo Machado. Em seu currículo de administrador do partido consta uma mácula: foi afastado em 2017 pelo Conselho de Ética do PHS por acúmulo irregular de cargos e salários. Com uma dotação oficial de R$ 18,1 milhões, a legenda lançará candidato a deputado federal. “Não vamos gastar um centavo com outras candidaturas. O que mais ajuda o partido a crescer são os candidatos à Câmara. É o que dá tempo de televisão para o partido. O que rende fundo partidário maior”, frisa ele. Machado diz que cada candidato do PHS ficará com R$ 2 milhões.

Injeção de recursos 

O pequeno PSC é presidido por um pastor, Everaldo Dias, ao qual caberá administrar a multiplicação dos peixes. Sua maior façanha até agora foi concorrer à Presidência em 2014, fazendo apenas figuração. O partido vai dispor de R$ 9,2 milhões, o triplo do que arrecadou na última eleição.

Ainda na esteira dos partidos contemplados com a remessa de recursos públicos para financiamento de campanha, o Avante, que já se chamou PTdoB, destaca-se pela fraca atuação de seu presidente, Luis Tibé (MG), como deputado federal. O parlamentar teve 15 projetos arquivados e outros nove ainda esperam resposta. Com essa atuação improdutiva, porém, Tibé vai gerir R$ 15,8 milhões.

Com uma das menores bancadas da Câmara, apenas três deputados, o PSL dividirá o tempo de tevê com outros partidos que compõem a sua bancada. Mesmo assim, espera se tornar conhecido nestas eleições. Quem vai exibir suas propostas País afora deve ser o polêmico pré-candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (RJ). Do fundo, a legenda vai morder R$ 9,2 milhões, quase o dobro do que arrecadou em 2014, dinheiro que será administrado pelo ex-dirigente do Sport Luciano Bivar.
Se a lei que criou o Fundo Eleitoral demorasse mais um pouco para ser promulgada, o PSDC não estaria na relação dos partidos beneficiados, pois não possui mais nenhum deputado na Câmara. Mesmo assim, José Maria Eymael vai ter direito a R$ 4,1 milhões para gastar – uma excrescência da legislação eleitoral, para dizer o mínimo.

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