Comportamento

Os centros do bem

Projeto municipal no Recife oferece espaços com boa estrutura onde jovens da periferia podem exercer diversas atividades para ficar longe do crime

BEM DIRECIONADOS Mais de 900 jovens e crianças praticam artes marciais no Compaz do Alto Santa Terezinha (Crédito:Andréa Rêgo Barros)

Recife, no estado de Pernambuco, é a oitava cidade mais violenta do País, com uma taxa de homicídios de 55 por 100 mil habitantes. Nos últimos 10 anos a taxa de homicídio da Colômbia baixou 10 pontos percentuais enquanto a do Brasil subiu mais de 30. Para encontrar soluções para o problema, a prefeitura buscou inspiração no exemplo de Medellín, que, nos últimos 30 anos, conseguiu fazer o índice cair de espantosos 381 para 22 homicídios por 100 mil habitantes.

Uma das iniciativas importadas da Colômbia deu origem aos Centros Comunitários da Paz (Compaz), cujo principal objetivo é manter os moradores de regiões pobres ocupados em atividades edificantes. Em março de 2016 foi inaugurada a primeira unidade, no bairro do Alto Santa Terezinha, zona norte de Recife. A segunda foi aberta um ano depois no bairro do Cordeiro, na zona oeste. Os centros se destacam tanto pela estrutura quanto pela qualidade e variedade dos serviços, como artes marciais, natação, tênis, tai chi chuan, yoga, biodança, aulas de violão, oficinas de circo, espaços para resolver pendências de documentação, orientações sobre direito do consumidor, mediação de conflitos, assistência social, biblioteca com 850 metros quadrados e cerca de 15 mil livros. Quase 28.000 pessoas estão cadastradas. Até 2020, serão inauguradas outras três unidades.

Em 2017, violência aumentou 19% em toda a cidade e caiu 20% no entorno dos Compaz (Crédito:Andréa Rêgo Barros)

SEM PUXADINHOS

Para Murilo Cavalcanti, secretário de segurança urbana de Recife, a prevenção da violência urbana não é feita só pelo enfrentamento policial, mas também pelo investimento em infra-estrutura e serviços de qualidade para a população mais vulnerável. “É preciso um trabalho integrado entre as secretarias para quebrar a dinâmica do crime, considerar as ideias da comunidade, direcionar orçamento de outras áreas para a segurança pública e acabar com o costume de investir em ‘puxadinhos’, ou seja, projetos mal feitos, nas periferias. Com os R$ 1,6 bilhão investidos na intervenção no Rio de Janeiro, por exemplo, daria para construir mais de 100 Compaz. Quando têm escolha, os jovens optam pelos caminhos saudáveis”, diz Cavalcanti.

Maria Auxiliadora de Souza é funcionária do Compaz do Alto Santa Terezinha, onde mora. Divorciada e mãe de nove filhos, há dois anos ela trabalha com serviços gerais na biblioteca do centro. Seu filho de 22 anos está preso há cinco anos por envolvimento com drogas, mas o destino de seus dois gêmeos, de 13 anos, poderá ser diferente. Todos os dias eles vão da escola para o Compaz. “Eu estava desempregada e ficava o dia todo atrás deles. Hoje me sinto tranquila e posso trabalhar”, diz ela. Que bom.

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